Post Reply A Vida Adulta e a Responsabilidade de Dar um Tempo naquilo que gosta?
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Posted 5/26/16 , edited 5/27/16
Vendo o Fórum do nosso Crunchie meio que parado, veio-me na cabeça uma reflexão:

Ultimamente, muitos sites brasileiros estão deixando a cultura oriental de lado por motivos que alego (e torço por estar equivocado) ser os mais tristes: A Vida Adulta de quem já administrava o site e o baixo interesse da nova geração pela cultura japonesa.

Apesar de isso acontecer em outros polos de cultura animê (como a América Latina, EUA, França,...), no Brasil é mais forte ainda, por uma série de fatores que seriam extensivos (um deles, a Presença Massiva de Youtubers que NÃO TEM nada a ver com a Temática Anime em um Evento que tem Anime no nome) demais para uma postagem...

O Resultado: Muitos Estão Abandonando a Cultura Oriental por não dar Tanta Lucratividade quanto agora (a ponto de depender de Licenciadora Estadunidense para poderem trazer animes, mesmo que "Adaptados" a cultura do público do país Licenciante) e seguindo com a vida adulta.

Ontem, a Warner (Eu ia dizer DC, mas desde os Novos 52 impostos por Diane Nelson que recuso a chama-la) lançou um novo selo chamado Rebirth com o objetivo de Trazer o leitor das antigas de volta sob a justificativa de Trazer o Legado resgatando o Otimismo deixado de lado desde "Ponto de Ignição".

É esse o ponto que quero chegar: Não Seria a Hora de Resgatarmos esse fator Legado e Trazer todo o Otimismo de volta para arrebanhar novas pessoas para o mundo dos animês, como se fosse um Legado parrado entre gerações?

Reflitam aí e Manifestem o que pensam sobre esse assunto, por favor...

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Posted 5/27/16
Camilo, existem muitos fatores mas creio que o principal é a decadência do Japão e a mudança de cenário. O modelo de animes é horrível, a implementação do One Cour mata o roteiro, as histórias estão muito genéricas, e a variedade está sumindo (sobrando apenas o "mais do mesmo") e agora tem a concorrência das séries... As crianças/jovens não gostarem de anime é mais que natural diante desse quadro
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Posted 5/27/16
Adicionalmente eu também vejo o fato de estarmos no meio de um tipo de "hiato" entre gerações...

Mais importante do que a discussão sobre a qualidade dos animes, ou mesmo a perca da "antiga geração" de publico de animes, está o fato de que temos uma geração atual de publico que simplesmente não teve a "oportunidade" de assistir animes como assistimos.

A maioria daqui na verdade faz parte de uma mesma geração que se viu assistindo animes em meados dos anos 90 e 2000 através da TV aberta e ou TV por assinatura, na extinta Manchete, manhãs da Globo, finado BandKids, ou mesmo nos finais de tarde e inicio da noite no CN e na nostálgica Locomotion e curta Animax.

Estes canais fizeram a iniciação e apuraram um pouco nossos gostos por animes, e mais tarde com o advento da internet no meio de nossa adolescência, vieram os fansubs com toda aquela enorme quantidade de animes que basicamente criou o mercado de animes na internet.

Essa é a "geração Anime" que somos nós que assistirmos a animes durante nosso anos de ouro de desenvolvimento psico/social/cultural.


O problema da geração atual, é que a infância e adolescência dele ocorre justamente na decadência dos animes, ou seja, em meados das décadas de 2000 e 2010, onde animes foram substituídos por "Bobs Esponjas" da vida, e mesmo a internet estando mais desenvolvida, o fato da maioria dos animes serem legendados, atrapalha a criação de um novo público vindo desta nova geração, que ainda não está preparada para curtir um anime legendado por exemplo.

Porem, pra mim este quadro está para mudar, agora a próxima geração, são de nossos filhos, estes não assistem mais a TV, mas sim a streamings como o Netflix, os animes na internet agora não são exclusivamente legendados como no auge dos fansubs, mas também dublados. Nossa geração também é a geração onde os pais se dedicam mais, e de forma pessoal a seus filhos, e por isso, agora nós somos os principais influenciadores sobre o que esta geração irá começar a assistir e não mais a TV. Então não é incomum encontrarmos pais iniciando seus filhos nos animes, colocando-os para assistir Cavaleiros do Zodiaco, Naruto, Bleach, dentro outros que já conhecemos, escolhemos e assistimos junto com eles, e assim os influenciamos a assistir também e criar uma nova geração de um publico de anime como nós.


Por isso que mesmo com a decadência de animes no Japão, com a baixa lucratividade eu vejo um futuro prospero para os animes, pois todas as outras dificuldade tende a se resolver com o tempo, contanto que ainda exista publico para assistir.
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Posted 5/30/16

Caio_NT wrote:

Camilo, existem muitos fatores mas creio que o principal é a decadência do Japão e a mudança de cenário. O modelo de animes é horrível, a implementação do One Cour mata o roteiro, as histórias estão muito genéricas, e a variedade está sumindo (sobrando apenas o "mais do mesmo") e agora tem a concorrência das séries... As crianças/jovens não gostarem de anime é mais que natural diante desse quadro


Este Artigo do site Shoujo Café ilustra um pouco dessa situação:
http://www.shoujo-cafe.com/2016/05/a-industria-de-anime-do-jeito-que-esta.html

"O site italiano Manga Forever fez uma grande matéria sobre a situação atual da indústria de anime usando como base as declarações de um animador com 20 anos de experiência publicadas em um site norte americano. O MF recorre, também a um relatório da JAniCA (Japanese Animation Creators Association) baseado em pesquisa com 750 profissionais. Não vou traduzir a matéria - mais por falta de tempo mesmo - mas comentarei o que lá está.

O primeiro ponto que eles apresentam é a disparidade de salários entre os que estão no topo da carreira (diretores e outros artistas especializados) e os demais (inbetweeners) que fazem o trabalho mais pesado e volumoso, por assim dizer. A remuneração é muito baixa para os padrões japoneses e isso, aliás, já era sabido faz tempo. Outro ponto é que devido a super exploração e baixíssimos salários existe a falta de mão de obra, quando a demanda não para de crescer. São mais de 300 séries por ano e imagino que estejam falando somente da TV.

O tal animador com mais de 20 anos de profissão reclama da demanda de trabalho, do sistema ineficiente e dos salários, claro. Segundo a matéria, a demanda de trabalho hoje em termos de detalhes nos quadros é muito maior que no passado, etão o que ocorre com freqüência é a inconstância na qualidade da animação, algo, aliás, que não escapa aos fãs e que tende a ser corrigido para os lançamentos em Blu-ray. Só que retrabalho é, também, mais trabalho, oras.

O veterano aponta, também, que muitos animadores sequer têm condições de residir perto do trabalho, afina;, os estúdios ficam no centro das grandes cidades, áreas mais caras. Fora isso, pelo menos 14% dos entrevistados têm filhos e vivem economicamente apertados, por assim dizer. Fora isso, a maioria dos animadores são freelancers, então, sua situação profissional é ainda mais instável.
Além disso, os estúdios japoneses evitam adotar novas tecnologias que facilitariam e tornariam a produção mais rápida, assim como é feito em muitos estúdios ocidentais. Tudo tende a ser feito à mão, mesmo quando não precisaria. Nesse ponto, o veterano que dás as informações comenta que gostaria de manter o estilo da animação japonesa e que, bem, pelo menos neste aspecto seria bom não mexer.

O MF, no entanto aponta que há estúdios que trabalham de forma diferente. Estúdios como o Kyoto Animation (K-On!, Free!, Amagi Brilliant Park) e o Trigger (Kill la Kill) não usam mais freelancers, ou, pelo menos, empregam regularmente a maioria dos seus animadores e eles não trabalham para terceirizados, mas no próprio estúdio, como no caso da Ghibli. E há pelo menos um estúdio, o Science Saru, que usa flash em seus episódios.

O que a matéria não fala é que estúdios japoneses terceirizam a produção, isto é, mandam suas séries para serem animadas em outros países, onde os salários são ainda menores e a exploração ainda mais intensa. Por conta disso, acredito que o tal colapso não venha tão cedo. Aliás, não é de hoje que isso acontece e não se restringe ao Japão. Se alguém quiser ler sobre isso em relação às animações ocidentais, recomendo os álbuns do canadense Guy Delisle que foi trabalhar na Coréia do Norte (*Sim, não foi na Coréia do Sul, não!*) gerenciando os inbetweeners que faziam a animação de Corto Maltese e na China, também, em outro projeto.
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Posted 6/2/16
Para Meter a Lenha na Fogueira temos um assunto sério:

http://anmtv.xpg.uol.com.br/a-inviabilidade-da-industria-dos-animes/

Para quem reclama das qualidades porcas apresentadas nos animes atuais, saiba que não são os únicos...
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Posted 6/2/16
Eu gostei da conclusão do autor deste artigo ai!
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