[REVIEW] Godzilla - O Rei dos Monstros!

Em tamanho colossal, Godzilla arrasta uma multidão de fãs aos cinemas

 

 

A Origem

 

Há 60 anos nascia um Kaiju que era a representação de todo trauma japonês em relação as ameaças radioativas causadas pelas bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. Em 1954 muitas dúvidas ainda pairavam sobre os efeitos que a radiação poderia causar, os japoneses passavam por grande crise financeira enquanto se recuperavam do desastre e, com a Guerra Fria em pleno vapor, a ameaça de novas explosões ainda era uma realidade na consciência de toda a nação.

 

Originalmente Godzilla foi criado a partir de uma explosão nuclear que fez um anfíbio sofrer mutações genéticas devido a radiação e se tornar um monstro poderoso e gigantesco. O filme de 1954 ganhou várias continuações, em que o monstro normalmente era o grande vilão da história. Mas por incrível que pareça, em muitos filmes Godzilla é retratado como um héroi que aparece para salvar o mundo quando uma grande ameaça surge a sua volta. Essa nova abordagem se deu primeiramente em meados dos anos 1960, pois os filmes haviam ganhado um tom mais infantil no embalo dos tokusatsus, que eram grandes sucesso na época. Por falar em tokusatsus, é importante ter em mente que Godzilla serviu de inspiração para várias séries criadas posteriormente no Japão.

 

Comparativo dos tamanhos de Godzilla em seus diversos filmes.

 

No primeiro filme de Godzilla um acidente em testes nucleares realizados no mar japonês serviu de inspiração para o enredo. Em 1954 um navio de pesca passava desavidado pela região onde uma bomba nuclear seria detonada e, apesar de não terem sido atingidos diretamente pela explosão, a radiação alcançou o navio e matou toda a tripulação poucos dias depois, além dos peixes comercializados também estarem contaminados, o que levou várias outras pessoas a perderem a vida por consumirem o alimento. O primeiro tripulante do navio a morrer é o operador de rádio, que no filme original de 1954 se chama Gojira, e a cena de abertura mostra o kaiju destruindo um navio pesqueiro e em seguida matando o operador de rádio, uma referência ao acidente que serve de crítica ao uso de armas nucleares e todos os efeitos negativos que podem causar.

 

O filme chegou ao ocidente em 1956 com um nome adaptado para o cinema americano: Godzilla, The King of Monsters, e no Brasil ficou conhecido como Godzilla, o Monstro do Mar. A versão americanizada do filme cortou diversas cenas que faziam críticas ao uso de armas nucleares, algumas cenas foram refilmadas e melhoradas e o aspecto de horror do filme foi acentuado com cenas de mutilação e muito mais destruição durante os confrontos com a criatura. O filme alcançou uma boa bilheteria nos cinemas americanos, europeus e até mesmo brasileiros, sendo que no Brasil o personagem ficou mais conhecido através das constantes exibições na TV. Todo sucesso do filme original garantiu à franquia 30 sequências cinematrográficas, além de adaptações para outras mídias, como animação, mangá e até jogos de vídeo game. Godzilla já enfrentou grandes desafios em suas continuações, dentre eles o poderezo Mechagodzilla, a mariposa Mothra e até mesmo King Kong. O filme recebeu um remake americano em 1998 que foi muito criticado pela baixa qualidade da produção e por trazer um personagem que pouco lembrava o original.

 

Godzilla (2014)

 

O novo filme de Godzilla é um ramake do filme original contanto as origens do monstro de maneira bem interessante. Dessa vez Godzilla não é uma simples mutação de algum animal conhecido, mas sim uma criatura ancestral que dominou a terra há milhões de anos e que descansa no fundo do mar se alimentando de radiação e aguardando uma presa relevante aparecer para se levantar novamente como um grande predador alfa, como é conhecido.

 

Cena de Godzilla (2014)

 

No filme, Bryan Cranston interpreta Joe Brody um engenheiro norte americano que trabalha em uma usina nuclear no Japão, sendo responsável pela sua segurança e manutenção, junto de sua esposa Elle Brody, intepretada por Elizabeth Olsen. No dia de seu aniversário Joe é convocado na usina devido a tremores que estão atingindo a região e precisa tomar a difícil decisão de interromper ou não todas as atividades. Porém a situação perde o controle e um grande tremor atinge a usina, causando vazamento de materiais radioativos e uma grande explosão.

 

Joe sobrevive, porém sua esposa Elle não tem a mesma sorte e, a partir desse ponto, ele precisa se manter vivo para cuidar de seu filho, Ford Brody, interpretado por Aaron Taylor-Johnson. Anos depois Joe ainda não superou a perda de sua esposa e continua investigando as causas da explosão, quando, em certa ocasião, ele acaba sendo preso por invadir uma área proibida. Em meio às suas investigações, Ford, que hoje é um tenente da marinha americana, é chamado ao Japão para libertar o pai.

 

Cena de Bryan Cranston e Aaron Taylor-Johnson em Godzilla (2014)

 

Joe consegue convencer seu filho a acompanhá-lo nas antigas instalações da usina para encontrar respostas e o que eles encontram é algo muito mais impressioante do que poderiam imaginar. No lugar da usina foi estabelecida uma grande unidade de pesquisa que investiga a verdadeira causa dos acidentes de anos atrás, um Kaiju, que está se alimentando da radiação que vazou nos restos da usina. As pistas que levaram Joe até o monstro na verdade eram sinais de que ele estava prestes a acordar. E, assim, uma criatura voadora gigante surge em meio a supostos fósseis que estavam sendo estudados e destrói toda unidade de pesquisa onde estava sendo mantido.  É nesse momento que a trama do filme começa a tomar forma, pois o despertar dessa criatura acaba também despertando Godzilla, que parte em busca de sua presa tão esperada.

 

O primeiro ato do filme se resume a essa introdução, onde somos apresentados aos personagens principais e a origem dos monstros é contada de forma convincente. Já no segundo ato, Ford Brody se torna o protagonista e, devido a seus conhecimentos sobre explosivos, acaba se juntando às forças armadas americanas, que vão em busca dos monstros tentando encontrar uma forma de destruí-los. O primeiro monstro que surge é chamado de Muto e está em busca de uma fêmea de sua espécie que estava adormecida e acordou com o seu chamado. Esses monstros são capazes de criar um campo eletromagnético que destrói qualquer equipamento eletrônico por perto e deixam por onde passam um grande rastro de destruição.

 

Ken Watanabe e o diretor Gareth Edwards no set de filmegem de Godzilla (2014)

 

Mas onde entra o Godzilla nessa história? No filme, o Dr. Ichiro Serizawa, interpretado pelo excelente Ken Watanabe, descobre que, na verdade, Godzilla está atrás desses monstros com o objetivo de destruí-los e reestabelecer o equilíbrio natural. Em meio a isso a marinha descobre onde os monstros vão acabar se encontrando e montam um plano para tentar pará-los através da explosão de uma bomba atômica.  O plano não funciona como esperado, Godzilla consegue chegar até suas presas e uma grande batalha de monstros gigantes acontece em meio à cidade de São Francisco.

 

Acertos e Erros

 

Godzilla 2014 é sem dúvida um filme muito superior ao desastre do filme de 1998. Ele já pode ser considerado um grande sucesso, pois no primeiro fim de semana de exibição já superou todas as expectavias de faturamento, tendo arrecadado quase 200 milhões de dólares, sendo que a produção do filme custou cerca de 160 milhões de dólares.

 

O filme acerta em trazer uma versão mais fiel aos clássicos japoneses, além de apresentar diversas referências aos filmes mais antigos e até mesmo esteriótipos de personagens sempre presentes em filmes de monstro e desastres. A atuação de Bryan Cranston no começo do filme é excelente e toda a explicação sobre a origem dos monstros foi muito bem apresentada. Mas nem tudo são flores, pois o filme perde muito quando o foco muda para o personagem de Aaron Taylor-Johnson, que é um ator bem mediano e não consegue trazer toda carga dramática que foi vista nos primeiros minutos do filme. Seu personagem Ford Brody é o típico clichê do soldadinho americano que quer voltar para casa, porém problemas de roteiro e uma atuação fraca impedem que essa parte seja melhor aproveitada.

 

 

Minha conclusão final é de que estamos diante de um bom filme, que respeita suas origens, possui boas cenas de batalha e confirma a força dos filmes de monstros gigantes nos cinemas atualmente. Depois de Círculo de Fogo, em 2013, Godzilla vem para deixar todos os fãs de tokusatsus muito animados para os próximos anos e um bom motivo para isso é que, devido a grande bilheteria alcançada pelo filme, uma continuação já está garantida.

 

Para quem ainda não o assistiu, recomendo que vejam o filme em uma sessão 2D, pois a maioria das cenas de luta são noturnas e, como os óculos 3D acabam escurecendo um pouco a imagem, isso pode estragar a sua experiência. Sem mencionar que o 3D desse filme não é grande coisa, só recomendo essa versão se você for assistir em uma sala Imax. Para quem ainda não o assistiu, aproveite os últimos dias de exibição, pois é um filme que vale muito a pena ser assistido no cinema.

 

Ficha Técnica

 

Título: Godzilla (Original)
Ano produção: 2014
Dirigido por Gareth Edwards
Estreia: 15 de Maio de 2014 ( Brasil )
Duração: 123 minutos
Estudio: Legendary Pictures, Warner Bros. Pictures
Classificação: 12 anos
Gênero: Ação Aventura Ficção Científica
País de Origem: Estados Unidos da América

 

Trailer


 


Fábio[portuga] é redator de notícias para a Crunchyroll.pt. Visite o seu perfil e siga-o no Twitter: @portugassis.

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