[Review] My Hero Academia - Volume 1

"Você pode se tornar um herói"

 

Depois do grande sucesso do anime, My Hero Academia se tornou um dos títulos mais pedidos aqui no Brasil, então era questão de tempo até uma editora anunciar seu lançamento.

 

Em abril a Editora JBC em um dos seus programas semanais no YouYube, o Henshin Online, anunciou o mangá fazendo um bom barulho pela internet. E cá estamos para falar de um dos maiores lançamentos do ano.

 

My Hero Academia, mais conhecido no Japão como Boku no Hero Academia, é uma mangá de Kohei Horikoshi, publicado desde 2014 na revista Weekly Shonen Jump. Com uma temporada exibida do começo até a metade deste ano, com 13 episódios, produzido pelo estúdio Bones (Fullmetal Alchemist Brotherhood, Mob Psycho 100, Bungou Stray Dogs, todos esses você pode assistir aqui na Crunchyroll.pt). O sucesso é tão grande que já tem uma nova temporada programada para 2017.

 

 

História

 

Em um mundo onde grande parte da população possui “dons”, como é chamado os poderes de cada um, onde existem pessoas que utilizam esses poderes para o mal, a profissão de super-herói foi aceita pelo governo e muitas pessoas vivem deste trabalho. Izuku Midoriya é um dos garotos que quer ser um deles e estudar no colégio nacional de super-heróis, o Colégio U.A., onde pode se tornar um. Porém, ele não possui nenhum dom, o que fez com que crescesse com as pessoas desacreditando nos seus sonhos e até o maltratando.

 

Durante um simples dia, em uma corriqueira batalha entre herói e vilão, Izuku se vê envolvido com os acontecimentos e conhece seu ídolo All Might, o maior herói de todos, que faz uma proposta irrecusável ao garoto.

 

Outras tentativas do autor

 

Não é a primeira vez que Horikoshi tenta emplacar uma série na Jump: em 2010 foi a sua primeira serialização com Oumagadoki Doubutsuen, que foi cancelado com 5 volumes. Logo em seguida, em 2012, veio Sensei no Bulge, logo cancelado e finalizado com 2 volumes. Tive a oportunidade de lê-la e gostaria de dizer algumas coisas sobre.

 

 Capa do primeiro volume de Sensei no Bulge


A obra tinha uma proposta interessante, mas não tinha como não ligar com One Piece, o que acabou fazendo com que ela perdesse um pouco da originalidade. O roteiro parecia ter futuro, mas acabou demorando demais pra entrar nos eixos, o que acarretou no cancelamento. Falando de algo incrível do autor, se tem uma coisa que ele sabe fazer desde seu primeiro mangá publicado e deixa todos os seus fãs semana após semana entusiasmados, é a arte.

 

Desenho, personalidade e narrativa

 

O traço é o tão característico de mangás shonens, mas ele tem uma certa diferença que é o design dos personagens. Quando você consegue distinguir tal desenhista só pelo desenho, geralmente isso significa que ele está fazendo um bom trabalho. Todos os personagens são bem diferentes uns dos outros, criando uma atmosfera vasta. O desenho é bem limpo, com um bom número de detalhes, principalmente nas cenas onde o All Might transformado aparece, já que ele é desenhado de uma maneira diferente dos outros personagens.

 

 

Junto com esse ótimo desenho, além de uma quantidade razoável de reticulas, vêm os cenários sempre muito bem desenhados e a quadrinização de página, que deixa toda leitura mais dinâmica. O autor consegue muito bem controlar o olhar do leitor, fazendo com que seus olhos percorram a página inteira, aproveitando todos os detalhes. Tinha medo que isso não acontece, pois quando peguei o volume na mão, dei um folheada, vi balões bem grandes e pensei que a leitura poderia se tornar maçante e com diálogos desnecessários. Minhas impressões estavam bem erradas, já que a narrativa é um dos pontos altos deste primeiro volume.

 

A história avança sem muita pressa mostrando apenas aquilo que é necessário para o agora, com flashbacks muito bem encaixados e que mostram um certa dominância do autor com o desenvolvimento que ele está criando. O que me impressiona é a demorar de quase quatro capítulos para chegar ao que podemos chamar de “ponto de partida” da obra. Seria muita ousadia do autor se os capítulos que antecedem esse momento não fossem tão bons e não te deixassem tão entretido e interessado no que está por vir.

 

Os perigos e os acertos em se fazer um mangá sobre heróis

 

Estamos falando de um mangá onde o tema principal são heróis, então um outro medo me assombrava antes da leitura: o exagero em ser “cool” demais, em qualquer hora, em qualquer momento. Bom, só gostaria muito de dizer que isso não acontece. Os momentos são bem balanceados e só é mostrado aquilo que é necessário naquele contexto. O que torna esse mangá uma história de um garota que quer se tornar um herói, e não um garoto no meio de um monte de heróis “ultra mega legais” e só isso. Mas é claro, teremos muitos personagens “cool”.

 

 

Assim como em One Piece, o mangaká criou um leque infinito de habilidades dentro da sua obra, podendo criar qualquer tipo de poder, o que vai fazer com que poderes cada vez mais estranhos e legais apareçam no desenrolar da história.

 

Experiência, comédia e diversão

 

O Horikoshi também parece ter se acostumado com o formato semanal da Jump, já que seus capítulos de 20 páginas são cheios de informação e não passam sensação de que nada aconteceu. A boa dose de ação e comédia é muito bem balanceada.

 

Falando em comédia, esse é um dos pontos fortes do mangá, que consegue fazer piadas simples nos timings mais corretos. Tudo muito bem encaixado, que vai te pegar de surpresa e vai deixar você rindo durante uns bons segundos.

 

Capa da Jump com a estréia da obra 

 

Neste primeiro volume não vi nada na obra buscando algo pro lado mais "crítico", no máximo que você deve seguir seus sonhos sem se importar com o que os outros digam, como outros milhões de shonens, mas você lê My Hero Academia e sente que ele é feito para você se divertir, que o autor talvez se divirta criando tudo isso mais do que nós quando lemos. Tudo isso trás um ar de proximidade com ele, como se fosse um amigo nosso, aquele que a gente passa conversando horas sobre coisas que gostamos. A obra é muito calorosa.

 

Edição Brasileira


A edição da JBC ficou muito boa, sem capa espelhada, no formato 13,5 x 20,5 com capas internas coloridas e no papel pisa brite 52g, com pouquíssima transparência, que não atrapalha a leitura durante nenhum momento.

 

A tradução foi feita por Yakusha A-hon, um tradutor que deve ser novo nesse mercado de mangás.

 

 

Não localizei nenhum erro de revisão, edição e letreiramento, tudo muito bem feito. Agora, sobre as adaptações, houve uma movimentação pela internet sobre a frase “é pro monstro sair da jaula!!!”, e quando li achei que coube muito bem no diálogo, a única coisa é que daqui a alguns anos, quando uma pessoa que não conhece esse “meme” da internet ler, não vai pegar toda a referência por trás da adaptação; mas o que realmente importa é que ela vai entender a frase dentro do contexto. E assim, chegamos a conclusão que essa adaptação não influenciará a leitura de ninguém, que continuará muito boa.

 

Comentários Finais

 

My Hero Academia se mostrou uma obra cheia de charme, com ótima narrativa, personagens diversificados, desenho diferenciado e aconselhável para qualquer pessoa. Uma leitura descompromissada, que parece ser feita por aquele seu amigo próximo, com o simples objetivo de divertir o leitor.

 

Uma grande surpresa foi descobrir que essa obra tem um dos primeiros volumes mais divertidos que já tive a oportunidade ler.

 

Para aqueles que gostam de um bom shonen, fica aí a recomendação de um dos melhores lançamentos da Editora JBC deste ano.

 

Ficha Técnica

História e Arte: Kohei Horikoshi
Status no Japão: Em andamento
Periodicidade: Bimestral
Editora no Brasil: JBC
Editora no Japão: Shueisha
Preço: R$ 14,90 
Classificação etária: 14 anos
Avaliação: 9/10

 

PLUS ULTRA!

E você, conhece My Hero Academia? Ficou interessado? Comente!


© Kouhei Horikoshi / Shueisha 


GabrielSauGabrielSau é redator de notícias na Crunchyroll.pt, imitador do Silvio Santos, fã e pseudo-crítico de quadrinhos e joguinhos. Siga-o no Twitter: @Gabriel_Sau, onde ele passa 80% do tempo falando de mangá.

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