[ENTREVISTA] Grupo brasileiro Studio Seasons fala de seu mangá 100% nacional

Entre os assuntos, o lançamento da adaptação mangá de Helena, de Machado de Assis, no Anime Friends 2014

Nascido do amor por mangás e com o intuito não só de produzir como também de ensinar técnicas sobre mangás no Brasil, o Studio Seasons vem crescendo muito desde seu surgimento, em 1996. Suas integrantes Montserrat, Sylvia Feer e Simone Beatriz, além de sua colaboradora Maruchan, além de desenvolverem mangás, light novels e ilustrações também já ministraram cursos e tiram dúvidas de quem faz contato pelo site do grupo.

 

As tirinhas Os Ronins e Patuska, os contos Profanação e Os Manipuladores são exemplos de suas publicações num jornal destinado aos brasileiros residentes da Flórida, nos Estados Unidos. Atualmente elas estão trabalhando nas séries Oiran, Sete Dias em Alesh, Laser Boy e nas light novels Contos de Sher Mor e Zona Quantum.

 

Sempre presentes em eventos como Anime Rio e Fest Comix, desta vez as artistas vêm para São Paulo, no Anime Friends 2014, divulgar seu mais novo lançamento, o mangá baseado na grande obra de Machado de Assis, um dos maiores escritores da literatura brasileira: Helena.


E é incentivando a iniciativa de produção nacional de mangás que Crunchyroll.pt traz para vocês uma entrevista exclusiva feita com Montserrat, que mesmo estando bem ocupada com esse importante lançamento nos deu um pouco de sua atenção.

 

Studio Seasons chibis Studio Seasons


Vocês podem nos dar um breve histórico de quando e como vocês começaram com o grupo e nos dizer a função de cada uma?

O Studio Seasons  foi criado em 1996 com o objetivo de criar mangás autorais, ilustrações e light novels, além de dar palestras e workshops. É composto por quatro integrantes: três artistas e uma colaboradora. Monsterrat que é roteirista e desenhista, Simone Beatriz que é desenhista e web designer, Sylvia Feer que é desenhista e a Maruchan, que nos dá uma ajuda lá do Japão.

 

Falem um pouco sobre a experiência profissional de cada uma antes de trabalharem no Studio Seasons.

Como profissionais na área de quadrinhos, nós começamos com o Studio, que já tem 18 anos.

 

Como foi que vocês começaram a se interessar por fazer mangás?

Com cada uma foi de um jeito, mas basicamente o que nos atraiu foram as possibilidades que o mangá oferecia, como diversidade de temas, modos de diagramação e riqueza de estilos.

 

O que o Studio Seasons significa para cada uma de vocês?

Nós atuamos como um grupo coeso. Para nós deu certo trabalharmos em grupo porque temos as mesmas metas: o Studio Seasons representa para nós possibilidades de criação com nossas visões particulares.

 

Como vocês veem o panorama atual de mangás nacionais no nosso território?

Ainda há um bom caminho a se percorrer. Há uma necessidade de maior preparo tanto por parte das editoras como por parte dos artistas. Também ainda há pouca divulgação e espaços onde os profissionais possam estar em contato com o público. Não basta fazer mangá, o material tem de ser valorizado também.

 

Qual a perspectiva de crescimento que vocês têm para o mercado brasileiro de mangás (tanto nacionais quanto estrangeiros) no futuro?

Não é um tipo de crescimento rápido, porque o consumo de mangá está ligado à formação de público e a sua renda. O brasileiro não consome tanto para que ocorram expansões rápidas de mercado, ainda mais quando falamos de áreas que abrangem  leituras específicas, como no caso dos quadrinhos. Nesse processo é importante a consolidação de autores e o reconhecimento de seus trabalhos (na parte nacional), assim como o espaço dado ao material nas mídias (nos dois casos).

 

Falem sobre as obras anteriores do grupo, como Zucker, Mitsar e Sete Dias em Alesh. O público brasileiro teve uma boa aceitação?

Sete Dias em Alesh, ainda será lançado. Estamos produzindo-o.

Sobre Mitsar, (que é uma história ligada a Sete Dias em Alesh) nós tivemos uma aceitação positiva no sentido que pudemos fazer o público conhecer personagens que estarão nessa outra história. O título cumpriu seu papel.

Zucker teve uma boa aceitação e o público em geral pegou bem o espírito da obra. O leitor brasileiro é gradual: ele leva tempo para assimilar coisas novas, mas é receptivo quando vê o esforço dos artistas.

 

Como veio a ideia de transformar o livro Helena, de Machado de Assis, em um mangá?

Foi uma proposta da editora NewPOP. Eles tinham a ideia de adaptar algo e nos propuseram esse projeto. Tivemos a liberdade de escolher o título e o autor. Optamos por Machado, por sua importância literária, mas quisemos fazer algo que não tivesse sido adaptado demais, como o caso de Dom Casmurro. Queríamos algo mais leve e rápido que coubesse num volume único, sem grandes perdas de conteúdo para o leitor.

  

Helena Helena preto e branco


Quais foram os momentos de maior dificuldade durante a produção do mangá? E o que manteve vocês motivadas durante a produção?

Durante a adaptação o momento mais complicado foi transformar toda a narrativa de Machado numa estrutura mais dinâmica e visual, evitando recordatórias com trechos do livro. Isso era algo que não queríamos fazer. Queríamos tudo narrado graficamente e inserido nas falas. Durante o processo de produção a parte mais trabalhosa foi a pesquisa visual. Nossa maior motivação era terminar o projeto. Finalizar para começar um novo título. Nós estamos sempre pensando no que vamos fazer a seguir.

 

Quais os projetos para o futuro? Vocês gostariam de lançar mais mangás com história de outros escritores brasileiros como Jorge Amado, por exemplo?

Já temos um Guia de Produção de Mangá pronto que está previsto para ser lançado ainda esse ano. Nele colocamos nossa experiência com produção. Nossos próximos projetos são autorais: Oiran, Sete Dias em Alesh e alguns materiais on-line como light novels, por exemplo. Já estamos trabalhando nisso. Por enquanto, não faremos nenhuma nova adaptação.

 

Vocês aceitariam uma animação do mangá se surgisse a oportunidade?

Nós não pensamos nisso, mas se surgisse a possibilidade e houvesse uma estrutura para tal, sim, seria interessante.

 

E para terminar, uma mensagem final ao público da Crunchyroll.pt.

Agradecemos a oportunidade de conversar e mostrar um pouco do nosso trabalho, e esperamos que todos apreciem esse mangá que foi feito com muita dedicação. Um grande abraço a todos.


Helena será lançado no Anime Friends 2014 no dia 26 de julho e a Crunchyroll.pt vai estar lá. Fique de olho na nossa página no Facebook e no nosso Twitter para saber tudo sobre o evento.


Confira o vídeo promocional do mangá Helena.

 

 

© Machado de Assis/Studio Seasons/NewPOP

Entrevista feita com a colaboração dos integrantes da CrunchyNotícias.


FabioLuzFabioLuz é redator da CrunchyNotícias para a Crunchyroll.pt, além de metido a escritor de romances e Light Novels sob o pseudônimo de Isao Ooyama. É obcecado por notícias sobre número de vendas de BDs/DVDs, mangás e Light Novels no Japão. Quer saber se o seu anime vendeu bem? Pergunte a ele! Siga-o no Twitter: @FabioLuzCR 

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