Outra cidade japonesa decide retirar Gen Pés Descalços de suas bibliotecas

Decisão foi tomada pelo conselho municipal de educação.

Recentemente a cidade de Matsue, na província de Shimane, resolveu restringir o acesso ao mangá Hadashi no Gen (Gen Pés Descalços), de autoria de Keiji Nakazawa, das bibliotecas de escolas primárias e ginasiais. Tal atitude teria sido motivada por uma petição de um morador afirmando que o mangá poderia "passar uma ideia errada sobre os atos do Japão durante a Segunda Guerra Mundial". Eventualmente, essa decisão foi revertida e o mangá pôde ser novamente apreciado sem restrições.

 

Esse episódio acabou chamando muita atenção, levando várias pessoas à obra, aumentando significativamente suas vendas na época. E acabou levando o conselho de educação da cidade de Izumisano, na província de Osaka, a tomar uma decisão parecida com a de Matsue: retirar e restringir o acesso ao mangá nas bibliotecas de escolas municipais e ginasiais da região, desta vez por causa de termos discriminatórios, especialmente os que faziam referência a mendigos e desempregados.

 

Em novembro de 2013, o prefeito Hiroyasu Chiyomatsu já havia comentado a respeito da preocupação que tinha com a linguagem presente na obra e pediu para que o superintendente Tatsuhiro Nakafuji fizesse algo a respeito. À época, foi baixada uma resolução para que o mangá fosse retirado da vista do público e deslocado para outro local. Como nem todas as escolas obedeceram a decisão, em janeiro deste ano o conselho de educação agiu diretamente e reteve os volumes, afirmando que precisavam avaliá-los com mais atenção.

 

A associação das escolas públicas da cidade se manifestou contra essa decisão, afirmando em carta que as "bibliotecas escolares são de responsabiidade dos diretores das instituições e que a coleta unilateral do mangá pelo conselho é inaceitável". Acrescentam ainda que "negar às crianças o acesso à obra baseado em um certo senso de valores e ideias é uma violação de seus direitos humanos". 

 

Chiyomatsu diz que a decisão de retirar o mangá das prateleiras foi "pautada na questão de poder ignorar os termos discriminatórios em favor da manutenção dos direitos humanos". Nakafuji defende a atitude e ainda afirma que "o problema não está na obra em si, mas na linguagem discrimatória ali presente".

 

 

Fontes: AJW Asahi, Japan Daily Press

© Shueisha, Keiji Nakazawa


Hiromi Honda é redator da Crunchyroll.pt e não deve ser seguido.

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