[Review] Jump Force é divertido para o público menos exigente, porém apenas mediano para o resto

Jogo já está disponível para o público geral.

Nessa semana saiu o tão comentado e polêmico, de certa forma, Jump Force. Para quem estava por algum motivo por fora do lançamento, Jump Force é um jogo de luta entre personagens da revista Shounen Jump em estilo arena 3D que foi lançado em comemoração aos 50 anos da revista de mangás no Japão.

 

O jogo conta conta com um elenco de 42 personagens de 16 séries distintas da Shounen Jump. A grande maioria dos personagens, no entanto, são apenas de Dragon Ball, One Piece e Naruto, cada um com seis personagens. As grande surpresas para o elenco do jogo provavelmente foram Ryo Saeba, de City Hunter, e Dai, de Dragon Quest: Dai no Daibouken, série conhecida no Brasil como Fly, o Pequeno Guerreiro

 

O jogo chamou a atenção também por causa da inserção de alguns cenários que mesclam elementos do mundo real com do mundo dos mangás, com a presença, de coisas como a Estátua da Liberdade no meio de Namekusei, por exemplo. Outro ponto que chama a atenção é que ele possui uma customização de um personagem original, que será comentada com mais detalhes no texto abaixo.

 

 

Partindo para review, sem mais delongas, é impossível ignorar logo no primeiro momento, mesmo sem ter jogado, o problema de identidade visual de Jump Force. Os personagens, como já era possível ver desde os trailers, são extremamente inexpressivos e com uma textura que chega a ser quase perturbadora dependendo de qual lutador estamos falando (Midoriya é um exemplo de personagem que fica parecendo um boneco de cerâmica lambuzado em óleo). Para piorar essa questão artística, durante o jogo é possível ver que isso só piora durante as cenas cinemáticas, onde as animações decaem ainda mais, isso sem falar da presença de diversos bugs durante essas cenas.

 

Durante uma sequência inteira de cinemáticas, por exemplo, podemos observar que Sanji, de One Piece, não tem a animação de corrida e isso resulta em uma movimentação em que ele apenas se arrasta pra frente. E isso não acontece só uma, duas ou até três vezes. Outro exemplo de animações ruins bastante presente são em momentos quando alguns vilões começam a voar para se retirar do local e suas animações de voo são imóveis. O modelo do personagem apenas fica parado e começa a ir para cima. Vez ou outra isso é driblado, mas na maior parte do tempo acontece dessa forma. Enfim, são vários e vários problemas nesse sentido no jogo, isso sem tocar no ponto de personagens "fugindo" caminhando pois não foram programadas animações de corrda para eles ou gargalhadas em que nem mesmo vemos alguém abrir a boca.

 

 

Enfim, sobre a parte visual já era possível ver que realmente não estava perto de ser o ponto forte do jogo. Mas o que realmente interessa nesse jogo, no fim, realmente é a jogabilidade e, bem, também não é aí que Jump Force consegue brilhar. Apesar de não ser algo tão duro quanto no lançamento crossover anterior, J-Stars Victory Vs., Jump Force entrega apenas um gameplay ok, sem muito o que se destacar.

 

O jogador tem possibilidade de ataques simples que podem ser executados com dois botões, um de ataques leves e outro de ataques pesados, além dos agarrões. O botões de ataque podem ser pressionados por mais tempo para causar mais dano e quebrar algumas defesas, além de possibilitar a abertura para outro golpes. Cada botão de ataque tem três variações possíveis para diferenciar os combos. Uma das variações possibilita que seja possível perseguir os oponentes em ataques velozes, que podem ser contra-atacados com golpes ou com desvios rápidos exatamente na hora em que for acertado.

 

Além dos desvios rápidos, o jogo conta com um botão que te permite fugir na hora, que também serve para perseguir os inimigos em casos contrários. Ao perseguir, o medidor de energia dessa habilidade não é muito usado, porém ao usá-lo para fuga, é necessário um bom tempo para que seja possível usar ela de novo, o que na verdade equilibra bastante as coisas no fim das contas.

 

 

Em cada batalha é possível utilizar três personagens distintos que podem ser trocados ou usarem alguma habilidade de pouco em pouco tempo durante as lutas. As trocas são ótimas inclusive para continuar combos de perseguição ou escapar de situações de perigo quando os recursos de defesa estão escassos. O problema desse sistema de 3 vs. 3 no entanto é que, mesmo com a implementação em alguns combos e as habilidades de suporte, todos os lutadores compartilham da mesma barra de vida, o que não é exatamente ruim, porém deixa tudo um tanto sem sal.

 

Por fim e não menos importante, cada personagem conta quatro ataques especiais, sendo que o mais fortes deles, a "técnica despertada", pode ser utilizada apenas depois que um medidor de energia especial alcançar certo nível. Esse medidor também pode ser utilizado para "despertar" o personagem, algo que para vários deles funciona mesmo como uma transformação e, claro, os deixa mais poderosos.

 

Apesar de simples e não ser algo diferente do que vemos em vários jogos de luta em arena, o sistema de batalha de Jump Force consegue ser divertido e, dependendo de como é usado, acaba não sendo tão repetitivo como aparenta. Considerando que algumas batalhas no modo história, por exemplo, conseguem ser bem desafiadoras (muito mais pelo dano absurdo dos inimigos que pela habilidade deles em si), acaba sendo necessário aprender e usar todo o arsenal de golpes para vencer, além de ser algo necessário também no modo online, claro.

 

 

Sobre a história, Jump Force não entrega nada de muito inesperado. Somos colocados no papel de um personagem original que pode ser customizado pelo próprio jogador. Logo no início do jogo, o nosso lutador morre devido a um ataque de Freeza, porém é ressuscitado graças a um cubo Umbra, que acaba fornecendo poderes sobre-humanos para o avatar.

 

Depois, somos enviados a uma base onde estão localizados os personagens da J-Force, que buscam impedir a destruição do mundo real e dos mundos Jump, que passaram por situações estranhas envolvendo os cubos Umbra. Nessa base, existem três times com funções distintas (ao menos em teoria): um de batalhas, liderado por Goku, outro de exploração, liderado por Luffy e outro de reconhecimento, liderado por Naruto. Logo no início temos que escolher um desses times, porém no fim das contas é algo que acaba não afetando em nada além das habilidades iniciais disponíveis.

 

Os vilões da história são Kane e Galena, lutadores misteriosos que estão tentando reunir humanos e vilões dos mundos Jump para alcançar o plano de reconstruir o mundo após destruí-lo. Existe também uma figura misteriosa que aparenta ser líder dos vilões, cuja identidade só é revelada na reta final do jogo. É um enredo um tanto previsível no fim das contas, mas que segue a fórmula comum que vemos em vários arcos de mangás shounen por aí, então consegue prender até o fim.

 

 

O grande destaque do modo história fica para as interações dos personagens. Apesar do elenco do jogo majoritariamente ser composto por personagens de Dragon Ball, One Piece e Naruto, podemos ver vários momentos de destaque para lutadores de outros mangás. Podemos ver uma presença importante de Ichigo durante o enredo, além também de também vários momentos importantes com Yusuke e até mesmo os mais novos, como Boruto, Asta e Midoriya, tem uma importância considerável. É estranho pensar, inclusive, que no fim das contas o personagem mais importante de Dragon Ball não foi Goku ou Vegeta, mas sim Piccolo. Foi uma boa distribuição, apesar de que mesmo assim alguns personagens não tiveram momentos para brilhar como Yugi e Jotaro.

 

Como citado, Jump Force possui uma customização de personagens que não é muito diferente do que costumamos ver por aí. É possível alterar o rosto e detalhes simples do aspecto corporal, mas tirando isso, é apenas questão de escolher cores e roupas que são basicamente os uniformes básicos dos personagens presentes no jogo. Não existem muitas possibilidades além disso.

 

Na parte de golpes, existem três possibilidades de estilos de combos para escolha. É possível também adquirir com o dinheiro do jogo golpes especiais de qualquer personagem e usá-los em seu avatar. Também existe um sistema de aprimoramento que insere danos elementais e/ou diferenças nos atributos como ataque e defesa.

 

 

Focando em outros aspectos, Jump Force tem um enorme problema com telas de carregamento. Depois de qualquer cena e qualquer coisa que é feito no jogo, é introduzida uma tela de loading que por muitas vezes é bem demorada e quebra muito o ritmo da jogatina, chega a ser bem irritante às vezes. 

 

Outro aspecto negativo é o fato de não existir um menu básico. Qualquer tipo de batalha, seja envolvendo a história ou não, só pode ser acessada através de um lobby, onde todos os modos de jogo podem ser acessados e também onde várias coisas podem ser compradas, etc. O menu do jogo é usado apenas para customização do personagem e configurações gerais.

 

O grande problema do lobby é que, fora das áreas principais, ele é desnecessariamente grande possivelmente porque é existe a opção de deixar o jogo online 100% do tempo, fazendo com que vários outros que estiverem jogando online acompanhem seu avatar. O problema disso é que, mesmo com o modo online ativado, não há necessidade de ir para algumas áreas do local, então mesmo com a possibilidade de interação com outro jogadores, essa interação acontece majoritariamente apenas nas áreas onde de fato podem ser acessadas as funções principais do jogo.

 

 

Falando no modo online, as batalhas, ao menos por enquanto, são bem fáceis de encontrar. Em no máximo 40 segundos é possível achar uma nova pessoa para jogar. Os servidores também podem ser bastante elogiados, já que mesmo em horários cheios não existe problemas de conexão, nem mesmo com lag.

 

Jump Force é um crossover comemorativo que, para o público menos exigente, consegue ser um jogo divertido e agrada na maior parte do tempo, porém mesmo para esse público alguns problemas como as telas de loading extremamente longas e a parte visual inegavelmente feia pode afastar bastante. Para um público mais exigente, Jump Force pode ficar fora de cogitação, pois não entrega nada além. Pode ser divertido para quem quer ver a interação entre personagens distintos da revista Shounen Jump, porém a parte legal fica por aí mesmo.

 

Jump Force

Desenvolvedora: Spike Chunsoft

Distribuidora: Bandai Namco

Plataformas: PlayStation 4, Xbox One e Windows

Lançamento mundial: 15 de fevereiro de 2019

Nota: 6,5/10

 

Para essa review foi usada uma versão para PlayStation 4 fornecida pela Bandai Namco Brasil.


 

Talles Queiroz (TekeEfe) é redator de notícias da Crunchyroll.pt e estudante de Letras pelo IFSP. Sofrendo por personagens 2D desde sempre, escrevendo sobre esse sofrimento desde 2013. Para surtos mais pessoais, o Twitter é TekeEfe também.

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