[REVIEW] Bravely Default

Lançado em 07 de fevereiro de 2014, Bravely Default vem integrar a galeria de bons jogos do Nintendo 3DS

 

Nos contornos gerais, não há nada de novo sendo apresentado por Bravely Default. Aliás, quem já jogou os Final Fantasy do 1 ao 6 provavelmente perceberá vários elementos familiares: encontros aleatórios, a presença de cristais, um world map, batalhas em turnos... O que levaria, então, alguém a jogar Bravely Default se tudo o que está presente ali já foi usado antes? A resposta está nos detalhes.

 

O grande mérito do jogo é permitir que o jogador controle o ritmo de sua aventura. Com poucos comandos, é possível aumentar em muito a quantidade de encontros aleatórios e a velocidade das batalhas, fazendo o grinding muito menos maçante (ainda que seja pertinente dizer que é uma pena ainda precisar fazê-lo, às vezes). Ou eliminar completamente os encontros aleatórios, permitindo a exploração dos mapas e dungeons sem interrupções.

 

Mas tal controle também se faz sentir dentro das próprias batalhas, através dos sistemas Brave e Default, que dão o nome ao jogo. Ao escolher o comando Brave, é possível a realização de múltiplas ações dentro desse turno, mas o personagem ficará indisponível até que seus Brave Points (BP) saiam do negativo e cheguem a zero. Ao escolher Default, o personagem entra em modo de defesa e acumula 1 BP, que pode ser gasto posteriormente.  

 

 

A adição dessas mecânicas relativamente simples acrescenta uma camada estratégica enorme às batalhas, principalmente porque elas não são exclusivas dos protagonistas: todos os inimigos podem se utilizar dessa mecânica (e provavelmente vão fazê-lo, para desespero do jogador). Administrar bem os BPs fica ainda mais complexo à medida que os Jobs ficam mais fortes, exigindo o dispêndio de BPs em vez de MP ou HP para suas habilidades.

 

Os Jobs, aliás, são muito interessantes. Seguindo, novamente, na trilha de Final Fantasies clássicos, a aquisição de novos Jobs depende da derrota de seus antagonistas, que podem ser parte da história principal ou em side quests (que são, na minha opinião, muito boas, acrescentando informações relevantes sobre o mundo onde você está e alterando, ainda que minimamente, a história). Vários deles já são bastante familiares, como o White e Black Mage, Thief e Monk; outras são totalmente inesperadas, como o Merchant (que faz o grupo conseguir mais dinheiro, também o utiliza em seus ataques) e o Vampire (que, na prática, acaba sendo quase um Blue Mage, focado em aprender e utilizar habilidades dos inimigos).



Ao longo do jogo aventura, é possível o controle de somente quatro personagens: Tiz, sobrevivente de uma catástrofe que destruiu sua vila, levando junto seu irmão, é seu "avatar" nesse mundo; Agnès, sacerdotisa do cristal do vento, é acompanhada por uma fada do cristal chamada Airi, e tem como missão despertar os quatro cristais elementais que foram tomados pelas trevas, o que começou a gerar catástrofes pelo mundo; Ringabell, mulherengo e falastrão, é amnésico e tem como única pista um diário que "prevê" o futuro, com várias páginas arrancadas; e Edea, uma habilidosa guerreira que, após trair seu país, procura ver o que é "branco" e o que é "preto" no mundo com seus própris olhos.

 

 

No início, talvez seja difícil de se identificar com esse personagens (alguns deles são muito chatos), mas à medida que o jogador avança na hstória, ou atinge certos objetivos, eles começam a ficar mais coloridos, graças ao Party Chat. Em dados momentos, basta que o jogador aperte o botão Y no mapa, e os personagens começarão a conversar entre si. Talvez seja algo relacionado à missão, talvez sejam só amenidades. Quem jogou a série Tales, provavelmente sentirá a semalhança entre os dois. Ainda que seja uma adição simples, é algo que garante uma grande profundidade aos personagens.

 

Além disso, o game também oferece uma grande quantidade de antagonistas, cada um com sua personalidade (alguns deles são seres humanos horríveis) e motivação. Mas raramente eles são muito aprofundados, o que é uma pena.




Todos esses aspectos são muitos interessantes, mas certamente estariam comprometidos sem uma boa apresentação, aspecto em que Bravely Default não peca nem um pouco. Vários dos cenários presente no jogo são pintados à mão e, mesmo que não haja um grande nível de interação, apenas admirá-los chega a ser satisfatório. A presença de uma câmera que se afasta sozinha dos personagens quado ficam muito tempo parados, permitindo uma visão panorâmica desses lugares, só ajuda. Mas navegar por esse mundo não seria tão satisfatório sem uma boa música, um aspecto no qual Bravely Default com certeza se sobressai. Como o jogo acaba misturando elementos de fantasia medieval com steampunk, a variedade de estilos de instrumentos utilizados não incomoda nem um pouco.

 

Fora do jogo principal, Bravely Default oferece um pequeno minigame, que tem como objetivo a restauração de Norende, a vila de Tiz. Ele tem muita semelhan;a com alguns jogos de Facebook, mas não é aqui aonde as microtransações vão. Através do StreetPass, é possível coletar moradores para a vila, que, inicialmente, está vazia. Com a chegada de pessoas é possível alocá-las para construir as lojas (armas, armaduras, itens...), o que demora de alguns minutos a várias horas, em tempo real. É interessante a costrução dessas lojas, pois elas acabam oferecendo muitos bons itens e equipamentos para serem adquiridos.

 

Também é possível conseguir moradores através da internet, uma vez ao dia e limitado a até 4 moradores por vez. Com esses moradores, também é provável a vinda dos Nemeses, monstros muito mais fortes que os normais do jogo, vindos diretamente de 4 Heroes of Light. Só é possível manter até 7 Nemeses em Norende. Quando um novo chega, o mais antigo, se ele não estiver "protegido", é mandado embora, permanentemente.

 

Pra deixar este doce um pouco azedo, a história não é das melhores. Fica a sensação de que algumas reuniões seriam suficientes para que tudo ficasse em paz. Mas ela é interessante o bastante para empurrar o jogador na direção correta. Só queria que a Square tivesse deixado de lado o estereótipo do velho tarado e piadas sexistas. O jogo não perderia nada sem elas.

 
Basicamente, Bravely Default é um jogo que não fará ninguém que não gosta de JRPGs mudar de idéia, mas quem gosta com certeza não pode deixar passar. É um excelente motivo para a aquisição de um 3DS (como se ele precisasse de mais um).
 
 
Ficha Técnica:
Bravely Default
Desenvovido pela Silicon Studio e SquareEnix
Publicado pela SquareEnix e Nintendo
Disponível para 3DS

© SQUARE-ENIX, Silicon Studio

Hiromi Honda é redator da Crunchyroll.pt e não deve ser seguido.
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