Review do Redator: Aldnoah.Zero

Desde o sutil desejo insaciável do amor à sua loucura e sacrifício...

 

O que você não faria por amor? Não desejaria possuir seu querido para si e somente para si para todo o sempre? Não desejaria tocar a sua alma? Não viveria sobre um estado de transe tal que caminhar com ele seria como flutuar pelas ruas? O toque de sua mão a levá-la ao frenesi, seu perfume ao delirar, ou seja qual for sua reação para com o “estar apaixonada”, algo que aprendemos na infância tortuosa e tormentosa do amor é que com ela a loucura caminha de mãos dadas, e de certa forma até existe alguma razão nas loucuras que cometemos por amor. Como dizia Nietzsche: -Há sempre alguma loucura no amor, mas há sempre um pouco de razão na loucura.  É sobre esse aspecto que podemos entender que o amor de um povo por uma terra azulada de água em abundância é que o leva declarar uma guerra interplanetária, e da falta dela para si mesmos e o desejo insaciável de possuí-la, pois amar é desejar o belo para si, e em sua ganância cega e inconsequente, fruto de uma rebelião moral sobre uma cultura feudal e totalitária, estabelecida sobre o graal de aldnoah.zero, e principalmente, sobre o corpo sem vida de Orlane (deusa de adoração maior do Conde Saazbaum), é que o sacrifício humano toma seu lugar para se fazer justiça ao amor, ainda que os céus caiam e a estilhaçada esperança de paz seja completamente esquecida. 

 

 

-Durante 15 anos, após a destruição do artefato lunar, eles vêm lutando uma guerra lá em cima, nos destroços da Lua...uma guerra com o único objetivo de viver para lutar mais um dia... Marito K.


-Se os terráqueos resolvessem atentar contra a princesa Asseylum em sua visita à terra, a causa nos serviria como uma luva... Saazbaum.



O amor do Conde Saazbaum por sua amada ultrapassa qualquer barreira lógica, e não é de se admirar que cunhado de poder qualquer louco apaixonado cometeria os maiores crimes em favor de sua causa e justiça, a toxina do amor é devastadora, é inebriante, é cultuada em todos os cantos do mundo e também fora dele, foi pelo amor que as guerras foram travadas na história humana, e também se fez presente nos conflitos divinos da mitologia grega, e aqui também em Aldnoah.Zero não seria diferente. O amor move o mundo mas também o destrói, cria as pontes mais impossíveis e também as desfaz, cria civilizações mas também as aniquila; o amor não pode ser totalmente bom, nem mau, pois ao mesmo tempo é belo, mas pode se tornar feio, e basta um único momento, um pensamento, um movimento, um olhar, uma palavra, uma brisa, e tudo se acaba num instante. 

 

Sacrificar da própria carne e de seu povo não significaria nada para a justiça que almeja tocar os céus e ser confundida por divina...

 

 

 -Como uma coisa dessas é possível? Minha neta é assassinada e passamos à guerra contra Terra sem sequer uma declaração? Naturalmente, eles tinham consciência das consequências de se ferir a embaixatriz de Vers... O que se passa aqui além de meu saber? -Reyregallia Vers no Rayvers

 

-Suspeitamos que o ataque tenha sido arquitetado sob fachada de terrorismo das facções anti-vers na Terra...

 

 

A mais fascinante criatura que viveu no tempo de ouro da filosofia e pisou o mesmo chão em que Sócrates caminhou, era conhecida por Diotima, e segundo Platão sua existência na verdade foi uma alegoria, um arquétipo para que o mestre pudesse explicar, com o mínimo de juízo moral, a justa definição do amor, num discurso épico intitulado “O Banquete”. E sobre sua definição, podemos enxergar os juízos de ideia que fazemos sobre os objetos para que olhamos, manchados pelo conceito maniqueísta de que aquilo que não é belo, é feio, ou o que não é bom, é mau, como se tudo se resumisse no sim ou não, no preto ou no branco, e a indefinição de uma escolha algo simplesmente inaceitável. Assim, até mesmo a definição do vilão mau e do mocinho bom é ingênua demais, é um conto infantil para entreter os infantes, de forma que possam se desenvolver sobre o manto da imaginação e da esperança, mas sabemos que não se vive de contos e que, principalmente, a vida não se resume aos sonhos que se vive, nem aos pesadelos de que se foge, e olhar para o Conde Saazbaum como sendo o vilão nesse romance bélico-político, ou Inaho mesmo como o mocinho salvador da humanidade, é continuar a viver no minúsculo planeta de Antoine de Saint-Exupéry. 



Não permitirei que ela seja explorada, seja por marcianos, seja por terráqueos...não revelarei seu paradeiro... -Slayne T.

-Minha vida foi salva por sua majestade a princesa Asseylum naquele dia...


 

O amor não pertence aos deuses pois é incompleto em si e busca eternamente o que lhe falta (pará nós, sua outra metade), os deuses são perfeitos, belos, completos e satisfeitos em si mesmos, sendo assim o amor também não se resume às aventuras dos homens, mas caminha entre eles como seu mensageiro. No amor, o homem encontra sua imortalidade, e em sua loucura realiza coisas extraordinárias, como a fidelidade e o juramento de Slayne para com a deusa marciana, tal como o desejo de vingança de Saazbaum por sua amada Orlane... Não há mais espaço para vilões ou heróis, apenas para os amantes, os apaixonados por suas amadas e suas causas, os virtuosos e loucos do amor, aqueles cuja paixão arrebata povos inteiros e leva civilizações ao ápice ou à aniquilação, pois embora o amor seja o cinza mensageiro dos deuses aos homens, seu objetivo é aquilo que lhe falta, bom ou mau, belo ou feio, só existe o tudo ou nada no amor, ainda que muitas vidas sejam envolvidas, sua honra e seu delírio sacrificarão tudo pelo enternecimento de sua amada, por seu próprio sentido de vida eterna. 

 

 

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Confira esta obra incrível chamada Aldnoah.Zero aqui na Crunchyroll.pt

 

 


 Datatsushi é redator da CrunchyNotícias para a Crunchyroll.pt e é apaixonado por anime, comida japonesa e cultura asiática. Acompanhe seu atual projeto no youtube Drag-On Dragoon 3 e seus outros vídeos.  Você também pode segui-lo no Twitter @_datatsushi_

 


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