[REVIEW] J-Stars Victory VS +

Chegou a hora de descobrir se o Goku realmente ganha de todo mundo no universo Shounen Jump

Demorou, mas saiu. E não demorou só a tradução da versão japonesa, mas sim uma geração toda que ficou órfã de uma versão ocidental de Jump Super Stars e Jump Ultimate Stars, os primeiros embates entre personagens de mangás que a humanidade colocou as mãos. O crossover definitivo entre os heróis japoneses mais famosos do universo finalmente deu as caras no ocidente, desrespeitando qualquer contrato de produtora em voga por aqui. J-Stars Victory VS+ é nosso!

 

A história é bem ruinzinha e dividida em arcos de personagens principais: Luffy (One Piece), Naruto (Naruto Shippuden), Toriko (Toriko) e Ichigo (Bleach). Cada um desses arcos leva o jogador a aventuras diferentes, com personagens principais diferentes. No caso do arco do Luffy, por exemplo, seu irmão Ace e Seiya (CDZ) são os protagonistas e os únicos que podem subir de nível durante a história. O time que achei mais legal foi o do Ichigo, que une-se a Oga Tatsumi (Beelzebub) e Hiei (YuYu Hakusho), mais pela originalidade do elenco do que por qualquer outra coisa.

 

 

Uma voz misteriosa faz os personagens já conhecidos trabalharem em conjunto para encontrar três emblemas e participar de um campeonato especial. Ali, sem avisar, também precisam enfrentar um mal nunca antes visto e blá blá blá, o de sempre. O que a história tenta (e às vezes dá certo) é juntar tantos personagens distintos em uma única trama, sem que o carisma de cada um se sobreponha. Afinal, como lidar com uma trama em que todos são protagonistas?

 

De vez em quando rolam uns diálogos engraçados, que vão além do simples "Você é forte? Vamos lutar!" ou "Estou com fome!", clássicos de gente que você já conhece. Boa Hancock contratando os serviços de Gintoki para encontrar seu amado Luffy, Kenshin Himura explicando como conheceu seus parceiros de time Kenshiro (Hokuto no Ken) e Tsurugi Momotaro (Sakikage!! Otokojuku) são momentos divertidos.

 


Certas combinações de personagens também desencadeiam apresentações diferentes. No geral, cada lutador entra no ringue com uma apresentação já consagrada. Mas às vezes, dependendo dos personagens no seu time, algumas falas extras são inseridas. Experimente juntar Ichigo Kurosaki e Yusuke Urameshi no mesmo time.


O elenco de personagens é o ponto alto. Aqui o lado fanboy de cada um vai aflorar, se é que já não está solto por aí. Gente do passado e futuro se unem para (tentar) provar de uma vez por todas quem é que bate mais: a nova geração ou a velha guarda?


Defendendo ambos os lados um elenco de peso. Son Goku, Vegeta, Freeza, Kenshin Himura, Shishio Makoto, Yusuke Urameshi, Hiei, Seiya, Arale, Kenshiro, Raoh (e outros), contra a garotada da Jump representada por Tsuna Sawada, Gintoki Sakata, Toriko, Kusuo Saiki, Tatsumi Oga, Koro-sensei, Ichigo Kurosaki, Naruto Uzumaki, Sasuke Uchiha, Madara Uchiha, Medaka Kurokami, Luffy, Ace, Boa Hancock, Akainu (todos esses três de uma geração que pode ser considerada oldschool também). A lista é grande e é subdividida nos personagens de suporte (entram na tela apenas para uma única ação) e aí temos da galera do Sket Dance, Kuroko no Basket, Haikyuu!, D-Gray Man, Neuro, Love-Ru e mais.



É uma boa compilação de personalidades e fará você perder um tempo juntando J-Points para destravá-los por completo. De cara eu já sabia que queria liberar os personagens de YuYu Hakusho e Rurouni Kenshin por motivos simples: eles não existiam (até esse jogo) em versões atualizadas para os videogames. Quando foi a última vez que você viu um jogo para consoles de YuYu? Ou Kenshin?

 

A união de tanta gente pode causar um certo desbalanceamento na escala de poder dos lutadores. Lembra do game para PS2 que unia os personagens de Naruto, One Piece e Dragon Ball? Pois é, Battle Stadium D.O.N (de Dragon Ball, One Piece e Naruto) tentava juntar esse elenco em um jogo muito similar ao tipo de ação que acontece em Smash Bros. No final, os dois personagens mais utilizados eram o Luffy e o Gohan SSJ2, o resto não dava para o cheiro.

 


Em J-Stars já rola uma certa choradeira por parte dos jogadores. Vegeta é um dos personagens mais utilizados pelo povo nas partidas online, mas eu não vejo esse desbalanceamento como algo a ser evitado, pelo contrário. Qual a graça de colocar pau a pau um Super Saiyajin e um espadachim da Era Meiji? Por mais que eu considere Kenshin um melhor personagem, acho que a desvantagem é óbvia e muito bem-vinda. Aliás, a recompensa moral pela vitória com o samurai deixa o adversário muito mais irritado.

 

O combate, ao contrário do que deveria ser, é péssimo. E você não tem ideia do quanto me dói dizer isso. Tudo muito travado, os golpes demoram para sair e não existe cancelamento de animação de nenhum tipo. Os combos são simples, existem três tipos de ataques especiais e, claro, ataques destruidores que requerem o uso da sua Hero Gauge e podem virar por completo uma partida.

 

 

A pior parte é o esquema do "hard knockdown". Quando você derruba o adversário com um combo, o mesmo se levanta depois de alguns segundos e, segura essa: invencível. É tipo "poder" de transparência dos jogos de ação normais, quando o personagem toma um dano, saca? Isso acontece TODA VEZ QUE DERRUBAMOS O PERSONAGEM, o que inviabiliza qualquer tipo de continuação da pressão ou estratégia. Completamente entediante.

 

Para vencer é preciso preencher os espaços da sua barra de WIN (vitória) nocauteando seus adversários. O combate se dá num ambiente 3D, sempre inspirado em uma localidade famosa de alguns dos mangás da Shounen Jump. O problema é que os cenários são monstruosos de grande para um combate de dois contra dois. É muito legal lutar nas ruas de Alabasta, mas seria mais legal se fosse mais fácil encontrar seu oponente ali no meio, já que depois que encontramos, a batalha meio que se resolve num cantinho mesmo.

 


Dois cenários me chamaram bastante atenção. A arena da final do Torneio das Trevas (YuYu Hakusho) e um templo bizarro cheio de armadilhas de Sakikage!! Otokojuku. Arenas pequenas, com uma fácil localização do inimigo e focada ao que o game deveria se preocupar também: o combate.


Já falei sobre os (muitos) problemas do combate, agora é hora de falar das coisas boas. Pressionando aquela veia, aquela mesma do fanboyismo nosso de cada dia assistindo a toneladas de animes pela vida, sim, J-Stars tem transformações. E ela são legais!

 

Da "simples" transformação em Super Saiyajin (basta encher a barra de Ki) a esquemas mais elaborados -- como é o caso de Majiin Yusuke, aquela versão cabeluda do detetive espiritual --, os personagens que se transformam, bem, eles se transformam.

 


Apesar da lista de comandos não mudar, alguns golpes passam a assumir novas características. Após Luffy utilizar seu Gear 2nd, na segunda vez que o personagem acionar seu Jet Gatling, o golpe passa a utilizar também o Armament Haki, deixando os braços e pernas do herói pretos. Causa um dano maior, mas nada tão absurdamente diferente, infelizmente. Quando Seiya morre com o Cosmo cheio, ele escuta a voz de Atena e volta a vida, com uma barra diminuta e pronto para combar. É possível vestir a armadura de Ouro de Sagitário também, mas requer a Hero Gauge cheia.


Só tome cuidado com dois casos específicos. Duas transformações no jogo possuem efeitos colaterais que precisam ser postos na balança. O primeiro é com Ichigo Kurosaki em sua transformação para o "Mugetsu". Quando você usá-la, sua vida também será reduzida a zero. O segundo caso é com Yusuke Urameshi, que precisa sofrer um K.O. durante a ativação da Hero Gauge. Quando ele voltar à vida, será com o sangue maligno o dominando (com cabelão e aura vermelha). A parte ruim disso tudo é que dura apenas a quantidade de tempo de ativação da sua Hero Gauge, por isso vença o mais rápido possível. #dicas


 

Vale a pena lembrar que, no Japão, J-Stars foi lançado em duas versões, uma supercara com as músicas cantadas e outra não. O jogo aumentava cerca de 30 dólares apenas por conter as músicas originais (em cortes de abertura) dos animes dos personagens principais. E acho que nem eram todas que estavam no pacote, visto que, no seu lançamento algumas versões animadas ainda não tinham sido lançadas. A versão recebida por aqui é a simples, apenas com a BG sem letra das músicas (problemas com direitos autorais estão aí no pacote que inviabilizou as músicas cantadas).


É possível equipar seu personagem com cartas especiais. Elas podem ser adquiridas com moedas especiais (bronze, prata e ouro) e variam entre normais e raras. Utilizando um deck especial você as equipa e, se fizer certo, ganha novos atributos e anula os efeitos colaterais das mesmas. Além das cartas você pode comprar peças para o seu navio (o J-Adventure rola numa viagem pelo mundo do jogo com um navio que vai ganhando novos equipamentos para seguir em frente) e itens para ser usados antes do combate.


Além dos modos já vistos no jogo original, a versão traduzida para o nosso idioma (em um português literal que fará você dar risada de vez em quando) ganhou um modo arcade inédito. Batalhas contra times formados, cuja dificuldade vai além do normal podem ser praticadas caso a aventura principal tenha enchido o saco.



E não dá nem para manter o elogio com a tradução, porque muito do que os personagens falam durante o combate foi deixado de lado. Todos os ataques especiais, conversas entre o combate, provocações, tudo aparece com o idioma japonês, sem chance para quem não tem a menor noção do que estão dizendo. Algumas frases já foram queimadas na memória dos fãs, mas personagens menos conhecidos têm suas piadas praticamente anuladas -- genial quando Gintoki enche sua barra de Ki e começa a falar "Queime, Cosmo! Mas peraí, QUEIME O QUÊ?!" numa tradução super livre.


(não sei se todo mundo sabe, mas Gintama é famoso por suas inúmeras referências aos mangás da Shounen Jump)


Não dá nem para elogiar o versus do jogo. Batalhas locais contra outros jogadores obrigam uma divisão bizarra da tela. Detalhe que não seria necessário se os cenários não tivessem o tamanho de um mapa de Call of Duty. Online a coisa muda um pouco e é possível formar um time com outro jogador e deixar de lado aquela inteligência artificial bizarra que vive roubando sua Hero Gauge. Novas estratégias podem ser postas em prática e tudo ganha um ar diferente. Só precisa mesmo dar a sorte e encontrar jogadores brasileiros (o lag com gente de fora é impraticável).



É com muito pesar no coração que vos digo que este não é um bom jogo. Somos facilmente enganados por nossos corações ao darmos de cara com personagens tão carismáticos quanto os encontrados em todos esses anos de Shounen Jump, mas o cerne que deveria fazer dele um bom jogo simplesmente decepciona. Ficamos mal-acostumados, talvez? Claro que sim! Culpem a Cyberconnect2 e seus excelentes jogos baseados em Naruto e Jojo, por exemplo.


*Sra. Bandai Namco, traduza o game de Nintendo DS, que é infinitamente superior! Obrigado.



Site Oficial


Jornalista de guerrilha, pode ser encontrado no Twitter sob a alcunha de @horokeu, e gosta do seu queijo quente no pão de forma. Prefere mangás a animes (a menos que seja do Studio Bones) e adora competir. Provavelmente mais que você. Quer apostar?

Outras Principais Notícias

2 Comentários
Ordenar por:
Hime banner

Teste o Novo CrunchyrollBeta

Quero testar