[REVIEW] Death Note: Qual é a desse novo Light Yagami?

Vamos falar do Light!

SPOILER ALERT: O artigo contém informações sobre os 4 primeiros episódios da série Death Note.

 

 

Publicado pela primeira vez em dezembro de 2003, Death Note conta a história de Light Yagami, um genial estudante de ensino médio que encontra um caderno sobrenatural jogado na Terra pelo shinigami Ryuk, o qual lhe permite matar qualquer pessoa simplesmente escrevendo seu nome. Um mangá bem sucedido, Death Note vendeu mais de 30 milhões de cópias e ganhou uma versão em anime que continua com uma base fiel de fãs mesmo após oito anos de seu encerramento.

 

A popularidade da obra de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata fez com que Death Note ganhasse adaptações para o cinema, para o teatro e, agora, para a televisão.

 

Quando anunciou uma série de TV baseada em Death Note, com roteiro assinado pelos próprios criadores do mangá, a emissora japonesa Nippon TV afirmou se tratar de uma nova história e, de fato, a promessa foi cumprida. Embora o enredo dos primeiros quatro episódios da série mantenham as linhas gerais do mangá e do anime, há algumas diferenças fundamentais, especialmente na construção de Light.

 

Uma das maiores idiossincrasias de Light era seu "complexo de Deus" que o fazia se achar no direito de julgar quem mereceria ou não viver. Ao conhecer Ryuk, Light lhe pergunta por que havia sido escolhido para ser o portador do Death Note e se mostra um pouco surpreso pelo fato do caderno ter chegado em suas mãos por mero acaso.

 

Já na série de TV, Light, interpretado por Masataka Kubota, é apresentado como um pacato universitário, cujo hobby é frequentar shows da girl band fictícia Ichigo Berry, da qual Misa Amane é integrante, e que almeja passar em um concurso público para obter estabilidade profissional.

 

 

Ele chega a expressar certa aversão à ambição, crendo que ela pode causar ruína e é quase passivo, tomando decisões mais por pressão ou influência externa do que por determinação própria. Por isso, seus primeiros assassinatos foram realizados passionalmente.

 

O estopim para que ele finalmente decidisse eliminar o assassino Kuro Otoharada foi a reação desesperada de sua irmã Sayu com a situação de risco do pai, assim como as palavras de Komoda, sobre como o mundo estaria melhor sem pessoas como Sakota, certamente ressoaram em sua mente ao escrever o nome do ex-colega de escola no Death Note. Além disso, Light só concordou definitivamente em manter consigo o caderno após Ryuk insinuar que poderia fazê-lo chegar às mãos de uma pessoa brutal como Sakota caso o rapaz não o quisesse.

 

Light se refere ao Kira sempre em terceira pessoa, se dissociando de seu alter ego. Esses fatores o estabelecem mais como uma pessoa altruísta dotada de genuíno interesse pelo bem-estar alheio do que como um candidato a "deus do Novo Mundo".

 

 

Apesar de ser retratado como um jovem comum ao invés de um gênio, fica sempre subentendido que Light tem bem mais potencial do que demonstra. Mesmo bem mais desajeitado e menos calculista do que o Light original, as necessidades da trama o fazem chegar às mesmas deduções e a ter ideias parecidas com as do mangá para ludibriar os investigadores que trabalham no caso Kira, tais como a gaveta falsa para esconder o Death Note, o plano para descobrir a verdadeira identidade do agente do FBI que o seguia e as estratégias para encobrir suas atividades enquanto era vigiado em sua própria casa.

 

E mesmo quando executa seus planos, sua atitude parece bem mais acuada e suas ações invariavelmente soam como fruto do desespero. A conduta desafiadora do personagem dá lugar ao constante instinto de sobrevivência.

 

 

Essa humanização de Light influencia um pouco o modo como L é visto. Apesar das inegáveis diferenças entre o L original e o da série, que não tem muitos dos hábitos e trejeitos responsáveis pela imensa popularidade do detetive, o ator Kento Yamazaki preservou bastante da quase inabalável confiança de L em sua capacidade de eventualmente capturar Kira.

 

Porém, no anime a arrogância de L era frequentemente atenuada perante a megalomania de Light, a qual fazia com que L parecesse uma pessoa mais branda em comparação. Ao tornar Light um garoto mais despretensioso, L automaticamente soa mais hostil e presunçoso do que o retratado no anime, evidenciando ainda mais sua função de antagonista da história.

 

No entanto, ao longo do terceiro episódio, a dissociação entre L e Kira começa a diminuir um pouco conforme Light fica mais dissimulado e menos escrupuloso em seus esforços para não ser descoberto, o que pode significar uma aproximação com o personagem do anime e afastamento de Light de sua humanidade.

 

 

Grande parte dos trunfos de Death Note como anime estavam na direção, arte, trilha sonora e direção de fotografia, aspectos que infelizmente são difíceis de reproduzir em um drama japonês de maneira satisfatória devido às restrições de orçamento.

 

Ainda assim, a série de modo geral é bem melhor do que se esperava, especialmente em comparação com os filmes em live-action, os quais desagradaram imensamente uma legião de fãs por vários motivos.

 

No mais, se assistida de maneira despretensiosa e sem purismo em relação à obra original, a série pode entreter bastante por seus próprios méritos.

 


Kelly Ribeiro é redatora nos sites Geekdama e One Piece Brasil.
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