[Review] Os Cavaleiros do Zodíaco - Saintia Shô - Volume 1

Expansão de universo é sempre bem vinda

 

A franquia Cavaleiros do Zodíaco, ou Saint Seiya como é chamado no Japão, é uma obra de Masami Kurumada que às vezes parece ser maior no Brasil do que na sua terra de origem, tornando-se um dos ícones quando a palavra “anime”, ou até mesmo “cultura japonesa” é mencionada no Brasil, sendo um símbolo e indo além de apenas uma obra. Claro, tudo isso começou lá em 1994 quando o anime estreiava na Rede Manchete, e este ano a obra já completa 30 anos de existência.


Com o grande sucesso foram sendo lançadas séries e mais séries até os dias de hoje, tanto animes quanto mangás: Lost Canvas, Episódio G, Alma de Ouro, Ômega e outras. Algumas desses animes mais a saga clássica e saga de Hades (Santuário, Inferno e Elísios) podem ser assistidas aqui, no Crunchyroll.pt!


Foi anunciado pela Editora JBC durante seu evento anual, o Henshin+, que um dos mais recentes mangás da franquia seria publicado por aqui, o Saintia Shô. A editora é a casa atual de quase todas as obras da série (com exceção do Episódio G, lançado pela Conrad).


Neste ano a obra original ganhará uma nova edição nomeada “kanzenban”, que no Japão esse é o nome direcionado a edições diferenciadas, tendo um material luxuoso; saiba mais clicando aqui. E além disso, Lost Canvas Gaiden terminando no volume 16 no mês de novembro.


Os Cavaleiros do Zodíaco – Saintia Shô é um mangá de Chimaki Kuori e Masami Kurumada (que parece só supervisionar o projeto, como faz com todos os outros spin-offs), publicado desde 2013 na revista Champion RED da Akita Shoten.

 

 

História

 

Athena, a deusa da guerra, ressuscita em nosso mundo a cada centena de anos para derrotar existências malignas. Cavaleiros se juntam para protegê-la e lutar a seu lado contra as forças do mal. Mas até agora, uma história não havia sido contada.

 

Ela possui uma guarda particular composta por guerreiras chamadas de “Saintias”, que diferente das Amazonas não precisam abdicar do seu lado feminino. Durante os acontecimentos relacionados à Saga de Gêmeos no Santuário acontecem tentativas de reencarnar a deusa Éris em uma garota chamada Shoko.


Essa é a história não contada de uma batalha que aconteceu ao mesmo tempo que os eventos contados na obra original.

 

A obra dentro do universo de Cavaleiros e seu traço

 

Se tratando de uma obra de Cavaleiros tinha certas dúvidas e medos em relação à ligação com esse universo; as possibilidades são enormes, como contar o background tão mal explorado da obra original. Neste primeiro volume já vemos algumas lacunas sendo preenchidas, que cheguei a pensar que seria tudo jogado, mas a autora organiza bem os acontecimentos e faz menções e correlações com fatos já conhecidos entre os leitores da série principal. Isso torna a obra atraente tanto para um novo público, quanto para o antigo.

 


Outro fator que dá um bom charme para a obra é o seu desenho. Ele é leve, suave, detalhado para o que se propõe, chegando a parecer simples, mas o traço da autora é muito bonito e de certa maneira característico, fazendo com que os personagens sejam diferentes uns dos outros. Em alguns momentos a arte parece dar uma estilizada para se aproximar à de Masami Kurumada, sendo uma referência bem bacana. Mas o que realmente ajuda a deixar tudo isso ainda mais satisfatório é a quadrinização.


Meus olhos deslizavam pelos balões e quadros em um ritmo bom, não me deixando olhar para os outros lados, quando acontece aquele sentimento de “está acabando?” e ainda me fazendo apreciar os desenhos; possui uma boa quantidade de retículas, mas não chega a ser excessiva e muito menos atrapalhar, somando ainda mais com a quadrinização, que é simples e muito eficaz.

 

Enredo, previsibilidade e expansão


Não sei se posso chamar isso de ponto negativo, mas em um volume aconteceram poucas coisas, por mais que tenha me sentido satisfeito com a leitura. Como a obra é publicada em uma revista mensal que não é de uma editora como a Shueisha, Kodansha ou Shokakugan, por exemplo, o ritmo não deve ser um problema. Os flashbacks e sonhos são bem colocados, isso mostra um certo conhecimento da mangaká com roteiro, o que faz parecer que ela conta a história nesse ritmo por escolha própria e não por não conseguir dominar a narrativa.

 


Algo que chegou a incomodar foi a previsibilidade: no primeiro capítulo já tinha entendido o rumo das coisas e sacado o que aconteceria para então dar “início” a batalha. Outro fato que me deixou decepcionado é o quão similar com Lost Canvas foi esse certo acontecimento que já havia previsto. Como não quero dar spoiler, apenas vou dizer que é o tal “estopim” e acontecimento final do volume.


O grande diferencial deste volume foi a expansão dos acontecimentos da obra original, que me faz ficar animado pelo que pode vir logo a frente. O traço e a quadrinização também ajudaram bastante a me manter interessado, com uma certa curiosidade em relação à evolução da autora.

 

Edição Brasileira

 

A edição da JBC não possui capa espelhada, e vem no formato 13,5cm x 20,5cm com capas internas coloridas, páginas coloridas e papel pisa brite 52g. O material gráfico ficou bonito, o papel não tem uma transparência que incomode e a quarta capa só vai ficando mais bonita com o decorrer da publicação.

A tradução é feita por Fernando Sato Mucioli, de Akame Ga KILL!, Limit e Pokémon Red Blue Green.


Não vi nenhum erro de revisão, edição e letreiramento, tudo parece ter sido feito com muito cuidado. As adaptações me agradaram bastante, principalmente em manter “Equuleus” em vez de “Cavalo Menor” e usar “Santia” pra se referir às cavaleiras.

 

Comentários Finais

 

Saintia Shô foi uma surpresa positiva, com uma quadrinização simples e eficiente, desenhos muito bonitos (principalmente quando é colorido) e a oportunidade de preencher lacunas, por mais que o medo de se tornar uma história repetitiva e com acontecimentos semelhantes da franquia ainda assuste. Se isso ocorrer, o mangá poderá perder um dos principais diferenciais e é claro, a possibilidade de ser singular dentro desse universo tão vasto.

 

 

Ficha Técnica

História e Arte: Chimaki Kuori (com supervisão de Masami Kurumada)
Status no Japão: Em andamento
Periodicidade: Bimestral
Editora no Brasil: JBC
Editora no Japão: Akita Shoten
Preço: R$ 15,90 
Classificação etária: 14 anos
Avaliação: 7/10

 

"EU QUERO SER UMA SAINTIA!"

E você, de quais séries de Cavaleiros você mais gosta? O que acha dessa expansão do universo? Comente!



GabrielSauGabrielSau é redator de notícias na Crunchyroll.pt, imitador do Silvio Santos, fã e pseudo-crítico de quadrinhos e joguinhos. Siga-o no Twitter: @Gabriel_Sau, onde ele passa 80% do tempo falando de mangá.

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