[Anime Friends 2019] Projeto shoujo independente feito por mulheres! Conversamos com algumas artistas do Shoujo Bomb

Um bate-papo rápido com Renata Rinaldi, Cah Poszar e Lígia Zanella!

Durante o Anime Friends 2019, nossa equipe tirou um tempinho para conversar com algumas artistas do Shoujo Bomb que estavam no evento, inclusive a idealizadora do projeto, Renalta Rinaldi. Lembrando que o Shoujo Bomb foi o primeiro projeto independente de financiamento coletivo apoiado pela Crunchyroll no Brasil e reuniu seis artistas nacionais criando one-shots em uma coletânea voltada para o shoujo! Estavam presentes nessa entrevista a já citada Renata Rinaldi, além de Cah Poszar e Lígia Zanella.

 

Antes de organizar o projeto, Renata já havia conversado com editores em eventos sobre mercado nacional e público feminino, ouvindo respostas que considera "vagas". Foi daí que ela teve a ideia de montar o Shoujo Bomb e convidou outras artistas. Ela contou que sempre gostou de projetos colaborativos e escolheu mais cinco pessoas que já tivessem experiência com produção de quadrinhos pois, por ser um trabalho com uma estrutura diferente da ilustração, ilustradores sem experiência como quadrinistas muitas vezes desistem.

 

Foram chamadas propositalmente outras mulheres, para evidenciar que existem muitas delas produzindo quadrinhos. A escolha do lançamento da campanha, no dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher, também tinha esse objetivo. Ainda contaram que houve uma "troca" logo nas fases iniciais: Lígia foi convidada após uma outra artista sair (mas ainda participou do projeto fazendo uma das artes de capa das histórias), chegando quando já estava tudo meio planejado, mas com um grande interesse!

 

 

Elas ficaram surpresas que essa era a primeira coletânea independente de shoujo feita por mulheres. Claro, anteriormente houve iniciativas, mas, segundo elas, eram partes menores de algum projeto ou revista. O diferencial da iniciativa delas é que o shoujo não fica como uma "segunda opção", evidenciando as artistas e atendendo ao público que consome esse "tipo" de mangá. Elas também comentaram que tiveram muitos apoiadores homens, contrariando o "mito" de que apenas mulheres consomem shoujo. Hoje, certos setores do mercado estão revendo alguns padrões e se preocupam com algumas questões sociais, sendo isso muitas vezes explorado por agentes mais preocupados com o nicho de mercado do que com as referidas questões.

 

Ainda falando do crescimento da preocupação em evidenciar o trabalho de mulheres nos mais diversos âmbitos, segundo elas, o mangá talvez seja um meio um pouco menos preconceituoso nesse sentido pois o público está desde cedo acostumado com a presença de mangakás mulheres, mas, por outro lado, ainda é um meio que sofre certo preconceito de setores dos leitores brasileiros de quadrinhos, principalmente pelo traço, sendo necessário um longo trabalho de ir conquistando o público. Obviamente, dentro de eventos voltados ao nicho otaku, a recepção é diferente, ma ainda existe um certo preconceito com esse tipo de produto, elas notaram que muitas artistas que introduziram o "estilo mangá" no país não seguiram nesse "nicho". Mesmo assim, acreditam que hoje uma geração que cresceu consumindo mangá e anime está ganhando poder aquisitivo e, com isso, esse "setor" vem ganhando mais espaço.

 

Elas entendem que havia uma lacuna no mercado, com um público querendo consumir obras shoujo, embora os editores muitas vezes digam que "não vende". Elas acreditam que a boa recepção ajudou a mostrar que existe sim público para isso, e que outros projetos "inspirados" no Shoujo Bomb virão por aí, também creem que iniciativas como Turma da Mônica: Geração 12 surgem pela percepção de que há um público interessado. Embora estivessem com uma boa expecativa, já que, entre outras coisas, o projeto foi bem estruturado e feita por artistas já consolidadas no mercado nacional, a recepção foi muito melhor do que o esperado, atingindo 30% da meta já nos primeiros três dias de campanha no Catarse, além do apoio de outros canais, como a Crunchyroll!

 

 

Elas estavam vendendo exemplares da coletânea no Anime Friends. Quem financiou o projeto ainda vai receber o seu em casa!

 

E você, o que achou? Conte para a gente nos comentários!

 

© SHOUJO BOMB / Renata Rinaldi (ícone da matéria)


perfilLaura é mestranda em Letras na USP, redatora de notícias para a Crunchyroll.pt e eventualmente também escreve para o Nani. Entrou nessa de desenhos japoneses por causa de Cavaleiros do Zodíaco e está aí até hoje. Para surtos e reclamações mais pessoais, o Twitter é @gasseruto.

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