[Ressaca Friends] Kenji Oiwa no Brasil! Conheça um pouco mais sobre produção de mangás

Mangaká esteve no evento nos dois dias e bateu um papo com o público!

Durante o Ressaca Friends 2019, o mangaká Kenji Oiwa esteve durante os dois dias do evento dando palestras e respondendo perguntas do público. Ele é ilustrador de Bem-vindo à N.H.K., obra publicada por completo no Brasil pela Panini e que ganhou uma animação em 2006, e também é ilustrador da adaptação em mangá da novel Goth, do mangá de Assassin's Creed IV: Black Flag e revelou durante a palestra fazer a quadrinização de GRANBLUE FANTASY sob o nome cocho. A obra tecnicamente ainda está em serialização no Japão, embora novos volumes não tenham sido lançados desde 2018, e atualmente é publicada no Brasil pela Panini. O roteiro do mangá de GRANBLUE FANTASY é de Makoto Fugetsu.

 

No primeiro dia, a mediação foi de Chibi Martins, com Thiago Nojiri como intérprete japonês-português. No segundo dia, Kenji fez apenas uma breve apresentação de seu trabalho, mostrando imagens de quadrinhos ou ilustrações que fez (com direito a imagens de memes estarem acidentalmente na pasta) e respondeu perguntas do público, sem a presença de Chibi no palco, e ainda com Thiago como intérprete. 


Nossa equipe estava presente e vamos trazer aqui alguns pontos interessantes que o autor comentou durante esses dois dias! Não traremos as declarações do autor na ordem cronológica que aconteceram no evento. Então, vamos lá!

 

 

Kenji contou que desenhava desde criança, mas só decidiu ser mangaká durante a faculdade, ele cursou Artes e se formou. Mesmo assim, virar mangaká não é tão simples, embora ele acredite ter tido mais sorte que muitos. Após se formar, levou ainda três ou quatro anos para ele conseguir publicar uma obra em uma revista de mangá. Ele chegou a ter empregos "regulares" durante esse tempo, quando guardou dinheiro para posteriormente tentar viver apenas fazendo mangás e ilustrações.

 

Sobre o mercado mainstream, ele contou que geralmente os mangakás apresentam uma história original finalizada em três volumes, cujo potencial de mercado é analisado pela editora. Se a história faz sucesso, é preciso pensar em maneiras de estendê-la, mas as histórias são inicialmente pensadas para terminarem logo. É possível apresentar um trabalho inacabado, mas um dos pontos que a editora considera é se o autor é capaz de realmente finalizar a obra. Na opinião dele, a vontade e disposição para finalizar uma história é mesmo uma das partes difíceis do trabalho.

 

kenji oiwa ressaca friends

 

Essa seria a forma mais "clássica" de tentar um trabalho publicado e, como em qualquer outra profissão, geralmente é necessário tentar várias vezes até ter um trabalho aceito por alguma editora dessa forma. A incerteza sobre o futuro é um dos maiores desafios para quem começa porque pode demorar até conseguir de fato viver disso, afastando muitos artistas do meio. Existem outras formas de tentar ter seu trabalho publicado, como participar de premiações ou tentar ser notado a partir de divulgação na internet e tal.

 

A inspiração para seu trabalho é a "conexão entre as pessoas", ele se preocupa muito em desenvolver laços entre os persoangens. Entre suas inspirações estão Disney, Marvel, Osamu Tezuka e Hayao Miyazaki, citando também Children of the Sea como obra marcante em sua vida (a Panini publicou a obra no Brasil). Para ele, uma das partes mais importantes (e difíceis) de trabalhar com criação de histórias é estar sempre se atualizando, conhecendo coisas novas, sendo isso até mais importante que a técnica (que é, obviamente, muito importante).Ele acredita que visitar outros países é um aprendizado para novas histórias e, para escrever algo ambientado em outro país, é importante ler sobre e também conversar com especialistas e pessoas do lugar (se possível, visitar o lugar seria algo ideal). Também contou que as editoras pedem, por vezes, alterações nas obras, seja por achar que algo não combina com a linha editorial ou seja por outros motivos, mas ele sempre tenta conversar e buscar um jeito de fazer como ele queria ou o mais próximo o possível disso (você pode conhecer alguns outros detalhes editorais do Brasil e do Japão neste artigo).

 

 

Quando questionado sobre N.H.K., especialmente sobre os personagens hikikomori, ele comentou que fez personagens hikikomoris por achar que "renegados" ou aqueles que questionam seu lugar na sociedade representem uma grande parcela de pessoas, além de ambos roteirista e ele próprio terem um estilo de vida, na época, parecido com o de um hikikomori, ficando em casa o dia todo, produzindo (ele frisou que havia a óbvia diferença de eles estarem trabalhando). Alías, quando ele soube que a obra ganharia uma adaptação em anime, não acreditou. Ele contou também que acompanhou de perto o processo e gostou do resultado. Um dos medos dele com a adaptação era que os dubladores não interpretassem os personagens da forma como ele achava que deveria ser, mas no final a equipe toda foi muito boa. Foi com a produção da animação que ele se deu conta que poderia finalmente dizer ser um mangaká profissional, até em respeito aos iniciantes na carreira.

 

Quando questionado sobre inclusão de personagens LGBTQ+ e, posteriormente, sobre sexualização nos mangás (e possibilidades de regulamentação sobre sexualização), ele disse que existem pessoas com repulsa a grupos minoritários e que ele acredita que o mangá deve ser um local para contar sobre todos os tipos de histórias, mas que é radicalmente contra a censura, sendo contra regulamentações. Ele deixou entendido não achar que a ficção representa um perigo real às pessoas, dizendo crer que a quantidade de crimes possivelmente relacionados a essas questões é baixa no país.

 

Esse é um resumão das palestras, o que você achou? Conte para a gente nos comentários!


© Tatsuhiko Takimoto, Kenji Oiwa / KADOKAWA (ícone)

© Ressaca Friends


perfilLaura é mestranda em Letras na USP, redatora de notícias para a Crunchyroll.pt e eventualmente também escreve para o Nani. Entrou nessa de desenhos japoneses por causa de Cavaleiros do Zodíaco e está aí até hoje. Para surtos e reclamações mais pessoais, o Twitter é @gasseruto.

Outras Principais Notícias

0 Comentários
Seja o(a) primeiro(a) a comentar!
Ordenar por: