RESENHA: Final Fantasy: Lost Stranger (Volume 1) - Uma trágica aventura isekai pelo universo de Final Fantasy

Mangá inspirado pelo "aclamado" MMORPG Final Fantasy XIV.

 

Um dos grande sucessos entre os jogos atualmente com certeza é o "aclamado" Final Fantasy XIV, MMORPG da Square Enix que alcançou um grande sucesso recentemente, tanto que acabou ficando tão popular nos últimos anos que fez com que fosse necessário que as vendas do game fossem paralisadas por um tempo.

 

Pensando no sucesso do jogo, Hazuki Minase e Itsuki Kameya começaram a fazer um mangá inspirado no universo de Final Fantasy, bebendo bastante, obviamente, do MMO citado acima. A obra, no caso, se trata de Final Fantasy: Lost Stranger um... isekai.

 

Com a ideia em mente de que um MMORPG tem grande foco na imersão, faz sentido Lost Stranger ser um mangá isekai, pois nada mais imersivo do que ir parar no mundo do jogo tendo um grande conhecimento sobre tudo aquilo que está lá (além do fato de que obras desse gênero visa principalmente o público que gosta mais dessa imersão, ao menos no Japão).

 

O uso de conhecimentos do nosso mundo em um outro é uma tendência que vemos acontecer em vários animes, mangás e light novels isekai. Isso acaba virando um fator que pode decidir entre a vida e a morte do protagonista, mas, como também já estamos acostumados, não é sempre que isso dá certo. É mais ou menos o caso de Final Fantasy: Lost Stranger.

 

 

Na história, dois irmãos que trabalham em setores separados da Square Enix sonham em conquistar um espaço ainda maior na empresa, com o objetivo principal de fazerem um jogo de Final Fantasy. No entanto, o sonho deles é interrompido quando ambos são atropelados por um caminhão e morrem.

 

Na vida após a morte, os irmãos Shogo e Yuki logo percebem que na verdade estão em um mundo parecido com o de Final Fantasy e, com isso em mente, acabam começando a aproveitar a situação, entrando em aventuras pelo universo que tanto adoram. No entanto, as divergências entre o mundo fantasioso que estão e o mundo dos jogos que eles conhecem acabam sendo um presságio de que as coisas não seriam tão fáceis assim.

 

Apesar de passar uma impressão de que veremos uma história simples de aventuras pelo universo de Final Fantasy, Lost Stranger logo no primeiro volume revela, de uma maneira bem trágica, que tem um objetivo mais claro. O foco em mostrar que as diferenças daquele mundo em comparação ao o que conhecemos pelos jogos podem ser fatais acabam sendo bem interessantes de se ver.

 

Com a necessidade de adaptação às diferenças, vemos que Shogo precisa listar tudo o que pode sobre aquele novo lugar, fazendo um paralelo com crianças e adolescentes que anotavam tudo o que era possível enquanto jogavam videogames durante os anos 90. É bem nostálgico para quem passou por essa geração onde jogar com um caderninho do lado era algo essencial.

 

No entanto, a história mostra que, mesmo possuindo diferenças, ainda se mantém fiel ao o que é presente no mundo de Final Fantasy. Raças e magias que tanto marcaram os fãs estão presentes no mangá, sendo coisas de grande importância para o roteiro, principalmente a questão sobre a existência ou não de magias como Raise e Libra.

 

 

O primeiro volume, apesar de ter uma reviravolta interessante, não se destaca muito do que vemos também em outros isekai. Adotar uma temática mais trágica já é algo um tanto comum nessa mídia e Lost Stranger nesse início parece ser só mais um que usa dessa estratégia. No entanto, as situações banhadas por conhecimentos de Final Fantasy podem se tornar um grande atrativo para os fãs.

 

Além dos protagonistas, os outros personagens da obra são cativantes e não parecem serem entidades que estão fora da realidade da obra. Digo isso porque tinha um tanto de receio que coisas do universo de Final Fantasy fossem ser utilizadas apenas como referências, mas felizmente não é o caso, ainda mais pelo fato de que o que conhecemos não são personagens consagrados da franquia, mas sim novos rostos que usam de aspectos da série, sejam raças, magias, etc. (apesar de personagens da série original serem citados).

 

Para quem é fã, Final Fantasy: Lost Stranger é realmente uma boa pedida. Para quem é fã de isekai, pode ser interessante dar uma olhada nessa nova perspectiva. No entanto, para quem está desgastado do gênero e não é exatamente um fã de FF, talvez não tenha tanto o que se aproveitar ali. Mesmo com elementos dos jogos originais, não é inovador o bastante e não deve acabar sendo muito atrativo para quem não tem contato com a série. No fim, talvez seja melhor ter sua própria jornada pelo "Aclamado" do que em uma "história alheia".

 

Ficha técnica

 

Final Fantasy: Lost Stranger

Autoria: Hazuki Minase (história) e Itsuki Kameya (desenhos)

Publicação: Em andamento (2 volumes no Brasil | 9 volumes no Japão)

Editora: JBC

Preço: R$36,90

 

O primeiro volume de Final Fantasy: Lost Stranger foi fornecido pela editora JBC para a área de notícias da Crunchyroll Brasil.

 


 

Talles Queiroz (TekeEfe) é redator de notícias da Crunchyroll.pt formado em Letras pelo IFSP. Sofrendo por personagens 2D desde sempre, escrevendo sobre esse sofrimento desde 2013. Para surtos mais pessoais, o Twitter é TekeEfe também.

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