Coppelion: Primeiras Impressões

O streaming ocorre na VIZ toda quarta-feira

 

Anunciado em 2010 e guardado após o desastre nuclear de Fukushima Daiichi, o anime agora é exibido nas telas japonesas e também pela VIZ, neste outono, com o diretor Shingo Suzuki (K, Mardock Scramble) encabeçando a produção e Makoto Nakamura (Princess Love!) no roteiro.

 

A série toma lugar 20 anos após um desastre nuclear, em 2016, que devastou o continente japonês. Haruka Tomatsu (Sword Art Online - Asuna), Satomi Akesaka (Mitsudomoe - Futaba Marui) e Kana Hanazawa interpretam as três colegiais, modificadas geneticamente para suportar radioatividade que saem à procura de sobreviventes pela área do desastre.

 

Angela (K, Valvrave) canta tanto a abertura quanto o encerramento.

 

 

Coppelion possui uma proposta interessante e, a julgar pelos acontecimentos de Fukushima Daiichi na época e pelas repercussões até hoje, adiar o seu lançamento foi deveras sábio. Um colapso nuclear e a devastação que o evento traz ao Japão é enorme, e podemos acompanhar todo o frenesi e loucura dos acontecimentos que rodeiam as meninas, geneticamente modificadas (ou bonecas, como são chamadas), à procura de sobreviventes no marco zero.

 

O anime não trata muito de conceitos científicos e detalhes técnicos de radioatividade, o que deixa um pouco a desejar para com a comunidade Geek & Nerd em geral, mas pode ser perdoado se levado em conta que não é realmente o seu foco, mas sim, em tratar a devastação e a realidade humana numa situação desoladora.

 

 

As meninas se encontrando e indo buscar sobreviventes. Elas andam o tempo todo com essas bolsas pesadas (reclamam o tempo todo do peso), com suprimentos e remédios, e sim, elas andam a pé, sempre a pé, não usam qualquer veículo (e reclamam o tempo todo que andar a pé é cansativo, e que é longe, e que não chega nunca onde têm que chegar), com paradas regulares para um "picnic" ao ar livre (esse lanchinho é banhado à brisa radioativa naturalmente, aliás, o anime parece exagerar no tom de verde para dar a impressão de que tudo está contaminado, o que não deixa de ser verdade, entretanto totalmente desnecessário).

 

 

Sim, os telefones funcionam, mas nem sempre. Tem áreas com "névoa radioativa" em que eles se tornam inúteis. O diretor da operação sempre está em contato com elas. Essa ao telefone, Ibara, é a mais direcionada emotivamente para o trabalho, enquanto as outras, Aoi e Taeko, são mais "menininhas", reclamam o tempo todo, querem parar pra descansar e comer (e o fazem com bastante gosto), enquanto Ibara prefere ficar com um suplemento vitamínico...

 

 

As meninas falam todo o tempo no quanto as sensações humanas são deliciosas, como a brisa refrescante ou frescor da água. Ibara é mais focada no trabalho e, aqui tocando a água e percebendo que alguns peixes vivem nela normalmente, volta a procura de sobreviventes com ainda mais esperança e determinação. O cenário por todo lado é de devastação, mas a natureza parece "tomar de volta" tudo isso para si e meio que reconstruir a selva que um dia fora aquele lugar. Consequentemente, há uma ideia de purificação por trás disso, entretanto, basta lembrar o evento de Chernobyl e excluir completamente essa ideia da cabeça (e por muitos anos).

 

 

Esqueça "coisas bonitas", romance e também as maravilhas da natureza, esse anime é sobre desastre, devastação, destruição. Não tem música de fundo para fazer do trabalho mais bonitinho, é apenas o silêncio e, persistentemente, o assobio do vento de uma forma sombria, como se houvesse algo de errado no ambiente (e há, claro, a radioatividade, mas você é levado a ficar preocupado mesmo assim). As meninas ficam bem nesse ambiente hostil, nem por um momento sofrem qualquer "enjôo", elas de fato são muito resistentes. Os poucos sobreviventes que encontram estão sempre assim, vestidos com essa roupa pesada que, ainda assim, não pode segurar todo o "veneno" que paira no ar.

 

 

Quando as pessoas desaparecem de um lugar, a natureza retoma e o torna selvagem novamente. É claro que os animais sobreviventes voltam às suas origens selvagens e procuram sobreviver com seus instintos. Não seria de se admirar cães outrora dóceis se tornando incríveis predadores, de forma com que sejam até uma ameaça aos humanos restantes e fragilizados pela devastação. Inconsistentemente, as meninas parecem andar desarmadas e sem qualquer maneira de se protegerem, exceto por um tranquilizante que carregam na bolsa, entretanto são muito descuidadas num ambiente selvagem, isso quebra a ideia de que o trabalho fora pensado de forma cuidadosa.

 

 

Eu pensei que a protagonista fosse morrer aqui, seria a coisa mais óbvia a acontecer, num ambiente selvagem, sozinha com um lobo que, sabe-se lá quando e o que comeu da última vez, e pior: ela acredita que isso seja um cachorro. Falta de treinamento militar e ingenuidade extrema fazem o anime mais surreal que a própria devastação nuclear, o tipo de falha na história difícil de engolir, o que leva o telespectador a procurar outra face do trabalho para dar atenção, isso se ainda resta algum interesse no anime em geral.

 

 

 

-"Eu quero voltar pra casa"! - diz a protagonista, aterrorizada com o lobo que se esconde nas sombras, com a possibilidade de sua amiga já estar morta. Não é o tipo de coisa que se espera de uma "operação de resgate".

 

 

 

A parte mais interessante (e talvez a única que sobre nesse trabalho demasiadamente ingênuo) é o fato de que as pessoas sozinhas ficam malucas e criam histórias. Coisa típica da natureza humana, parte do instinto de sobrevivência, a mente prega peças e cria ilusões para tentar se manter saudável, ao mesmo tempo em que a pessoa enlouquece por não saber mais o que é realidade e o que nunca foi. As pessoas vão à loucura e até são capazes de matar para defender suas crenças e os problemas que as meninas vão enfrentar são, no geral, basicamente isso: tentar resgatar sobreviventes desamparados com histórias absurdas e medo capaz de matar. Isso eu admito que dá para inventar bastante problema pra continuar a história, mas como três meninas ingênuas poderiam sobreviver, sem treinamento militar (pra começar) a um ambiente hostil como esse? Desculpe, mas é difícil de engolir essa. 

 

via VIZ
thumbnail via zerochan


Datatsushi é redator da CrunchyNotícias para a Crunchyroll.pt e é apaixonado por anime, comida japonesa e cultura asiática. Você pode segui-lo no Twitter @_datatsushi_

Marcadores
coppelion, resenha, anime, viz
Outras Principais Notícias

4 Comentários
Ordenar por: