[Evento] POC CON! Confira como foi a primeira feira LGBTQ+ de quadrinhos

Feira ocorreu no último sábado, dia 22

No último sábado, dia 22, ocorreu em São Paulo a primeira edição da POC CON, feira de quadrinhos protagonizadas por artistas LGBTQ+, que contou inclusive com a presença de duas editoras de mangás. Um dos organizadores, Rafael Bastos Reis, conversou um pouco com nossa equipe, falando da ideia e expectativas iniciais do evento.

 

Segundo Rafael, ele já tinha a ideia de fazer um evento assim há algum tempo e, em setembro do ano passado, conversou com Mário César e mais pessoas envolvidas na organização e assim o evento começou a tomar forma. Eles começaram a sondar quantos artistas LGBTQ+ conheciam, mas ficaram com receio de não haver muito interesse.

 

Rafael ainda nos disse que sentiu um pouco de falta desse tipo de evento anteriormente por trabalhar com o erótico em suas artes, muitas vezes não sabendo se poderia ser barrado em convenções, não por ser ele um artista LGBTQ+ mas por trabalhar o erótico dentro do "universo" LGBTQ+. A ideia da POC CON é ser um espaço aberto, sem filtro, para mostrar a diversidade da produção dos artistas LGBTQ+, mostrando que eles produzem todo tipo de conteúdo e não apenas coisas relacionadas à sexualidade. Para tal, se identificar com o espectro LGBTQ+ é, obviamente, um requisito para ser um expositor da convenção.

 

 

Diferentemente de muitos eventos conhecidos voltados para o público de quadrinhos, a POC CON se denomina como um espaço que  dá protagonismo aos artistas independentes. O nome dado à feira vem junto com uma expectativa de que ela eventualmente se torne um "evento convencional", mas mantendo mesmo assim o foco nos artistas e quadrinhos, sendo as empresas que apoiarem mais periféricas. A ideia dos organizadores é, inclusive, manter a convenção como um evento oficial da semana da Parada do Orgulho LGBTQ+, aproveitando o público que vem de vários lugares nessa época. Um ponto interessante é que, dentro do possível, os organizadores também estavam expondo trabalhos deles no evento.

 

Mostrando um pouco dessa diversidade de artistas, nossa equipe conversou com alguns deles. Alex Kioshi conta não ter uma produção muito focada nesse público e, fora aspectos muito pontuais, não sente uma grande influência da sua sexualidade em sua produção. Vindo de Sorocaba, ele sente que os espaços voltados aos artistas e público LGBTQ+ fora da Grande São Paulo ainda possuem dimensões muito pequenas. Ele acredita que a POC CON tem uma importância enorme e que, ao saber sobre o evento, percebeu como esse tipo de iniciativa fazia falta.

 

 

Outra artista que estava lá era Cecihoney, cuja produção é voltada para a pixel-art. Essa foi sua primeira convenção após a transição e sua arte é um dos meios pelo qual se expressa como mulher trans. Artista há 30 anos, sendo 10 deles como profissional, ela enxerga a feira como uma boa oportunidade, com a organização sendo bastante comunicativa, e acredita que será bom se houver mais edições (na foto, ela está à direita, à esquerda está Ariaartt, outra artista que estava lá).


 

Também conversamos com o pessoal do IndieVisível Press, um estúdio de artistas majoritariamente LGBTQ+ que produzem quadrinhos próprios e fanarts, também trazendo ao Brasil oficialmente o título Pugmire. Eles já lançaram diversos títulos por financiamento coletivo e estão com mais um aberto para novos títulos. Nathália, uma das integrantes, acredita que a feira mostra que esse meio possui muita gente fazendo muita coisa diferente, nas linhas da proposta de Rafael ao idealizar o evento. A artista também conta que, quando começou, uma de suas grandes referências de artes com temática LGBTQ+ eram produções japonesas, ela acredita que esse evento mostra que há também muito material aqui no Brasil para servir como referência aos artistas e quem quiser entrar no meio.

 

 

Além dos artistas, outras grandes atrações do evento eram as palestras gratuitas na Biblioteca Viriato Correia (em outro local) e o concurso cosplay, feito de um jeito um pouco diferente dos concursos tradicionais: os cosplayers deviam fazer uma apresentação com lip sync ("cantar" uma música que está tocando ao fundo).

 

A NewPOP e a Panini também marcaram presença no evento. A NewPOP levou seus títulos yuri (romance lésbico) e BL (romance gay voltado para o público feminino), como Citrus e Bloodhoney, com descontos. Já a Panini estava vendendo diversos títulos de seu catálogo geral, não só de mangás (incluindo o novo lançamento O Marido do Meu Irmão) mas também de quadrinhos americanos e Turma da Mônica, além de alguns títulos de outras editoras.

 

 

 

A organização não esperava o público que teve. A divulgação começou para sites menores, de nicho, e culminou em um "efeito cascata": os sites médios se interessaram pelo material e, posteriormente, grandes portais de notícias começaram a pedir material de divulgação. O evento já tinha uma considerável fila antes dos portões abrirem, às 10h, que aumentou ao longo do dia, com muitas pessoas não conseguindo entrar mesmo após horas na fila. Como o local não tinha capacidade de absorver tanta gente, os organizadores optaram por manter em torno de 150 pessoas por vez dentro do evento, para que a circulação não ficasse impossibilitada, assim, a fila só acabava andando quando alguém saia da feira. Mas para quem perdeu, não se preocupe: a POC CON veio para ficar!

 

E você, foi ou queria ir nesse evento? Conte para a gente nos comentários!

 

© POC CON (ícone da matéria)


perfilLaura é graduada em Psicologia pela USP, redatora de notícias para a Crunchyroll.pt e eventualmente também escreve para o Nani. Entrou nessa de desenhos japoneses por causa de Cavaleiros do Zodíaco e está aí até hoje. Para surtos e reclamações mais pessoais, o Twitter é @gasseruto.

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