Entrevista com Takeru Satoh, que interpreta Kenshin Himura do live-action "Rurouni Kenshin"

O ator fala sobre sua emoção em trabalhar com uma grande equipe neste projeto incrível

Samurai X

 

Grande sucesso de bilheteria no Japão, o aclamado pelo público e pela crítica Rurouni Kenshin: Kyoto Taika-hen (Rurouni Kenshin: Inferno de Kyoto) já arrecadou cerca de 19 milhões de dólares em bilheteria e o sucesso promete aumentar ainda mais com a terceira parte da trilogia, Rurouni Kenshin: Densetsu no Saigo-hen (Rurouni Kenshin: O Desfecho de Uma Lenda), que estreia nos cinemas japoneses no dia 13 de setembro de 2014.

 

Com uma animação e mangá muito populares no Brasil, a saga de Rurouni Kenshin foi adaptada para as telas do cinema e ganhou não só o coração dos fãs japoneses como também muito prestígio pelo capricho com que foi produzido. O ator que dá vida ao Samurai X, Takeru Satoh, está em foco graças a sua grande atuação e concedeu uma entrevista ao Tokyo Otaku Mode, que nos permitiu traduzir especialmente para vocês, leitores da Crunchyroll.pt.

 

 


 

Takeru Satoh chamou a atenção do mundo logo na sua estreia, em Kamen Rider Den-O, no ano de 2007. Na TV, fez participação nos dramas Rookies (2008), Bloody Monday (2008), Mei-chan no Shitsuji (2009) e Ryomaden (2010) e no filme Beck (2010). Em 2011, recebeu o Prêmio Élan d'Or (エランドール賞) de ator revelação. Apareceu em produções de destaque no ano seguinte, incluindo Rurouni Kenshin (2012) e na peça Romeu e Julieta. Estrela também as duas partes restantes da trilogia do Samurai X: Inferno de Kyoto e O Desfecho de Uma Lenda, ambos de 2014.

 

Após ser elogiado por sua atuação no live-action Rurouni Kenshin (2012) como o protagonista dividido entre ser Kenshin Himura, o samurai andarilho que jurou nunca matar, e Hitokiri Battousai (人斬り抜刀斎 - numa tradução livre, "o assassino que dominou a arte de desembainhar uma espada"), um famoso assassino, Takeru Satoh volta a dar vida à série e compartilha conosco seus pensamentos sobre Kenshin Himura e a produção cinematográfica, bem como dá uma mensagem aos fãs espalhados pelo mundo.

 

 


 

Takeru Satoh

 

O estúdio era divertido

Tokyo Otaku Mode: Você poderia compartilhar um pouco do que está sentindo agora que acabou Rurouni Kenshin: Inferno de Kyoto e O Desfecho de Uma Lenda?

Takeru Satoh: O estúdio era bem animado. Como ator, acho que os estúdios de gravação que nos dão um ambiente alegre não é algo que não se vê todo dia.

 

TOM: O que você quer dizer com ambiente animado?

TS: Eles conseguiram criar um ambiente incrível através da arte e do figurino. A agenda de gravação também. Tivemos bastante tempo de preparo e, com isso, pudemos trabalhar com o melhor da equipe. Em resumo, na indústria cinematográfica japonesa é difícil investir todo esse dinheiro em uma produção. Foi graças a isso que pudemos fazer esse grande projeto.

Além disso, o diretor do filme, Ohtomo, nos deixou fazer o que quiséssemos. Era algo como: "Este é o ambiente que nós da produção preparamos" e "Por favor, fiquem à vontade para fazerem o que quiserem neste ambiente e atuem". Foi extremamente recompensador como ator e era um ambiente muito agradável.

 

Rurouni Kenshin

 

Entre Kenshin Himura e Hitokiri Battousai

TOM: O que você pensou ao atuar como Kenshin Himura nesses filmes?

TS: Foi como no primeiro filme, mas eu já tinha claro em minha mente o seguinte: "Eu quero o Kenshin desse jeito". Era apenas uma questão de como eu o personificaria bem.

 

TOM: Da sua perspectiva, quais são os destaques ou características únicas dessa trilogia?

TS: É difícil escolher... Foi muita queima de caloria, muita energia envolvida nas cenas, como se déssemos 120% nelas. Independente do que vá parar no corte final, os filmes serão repletos de ação. As cenas de luta do filme anterior enfatizavam demais as poses de combate. Sinto que, neste filme, as nossas falas saíram bem melhores.

 

TOM: Falas melhores?

TS: O Kenshin diz coisas muito legais no filme, palavras de uma pessoa correta. Eu adoro esse lado dele. O que ele fala para as pessoas que cruzam seu caminho ou mesmo para os seus inimigos, são coisas realmente muito boas.

No último filme, eu senti que não consegui trazer à tona esse lado do Kenshin, essas palavras, mas acho que dessa vez eu fui bem. Sinto que dessa vez eu consegui expressar não só suas habilidades, mas também a força de seu coração.

 

TOM: Nesta série, Kenshin cruza espadas com oponentes fortes como Makoto Shishio, a Espada Divina Soujiro e Aoshi Shinomori. Você falou da força do coração, mas esse mesmo coração pende para dois lados, o de Kenshin Himura e o de Hitokiri Battousai. Parece algo bem difícil de interpretar.

TS: Foi incrivelmente difícil. Isso é algo crucial no que diz respeito a Rurouni Kenshin, então tive que tomar muito cuidado.

No filme anterior tentei mostrar com clareza a lacuna e a cartase que há quando Kenshin diz "Oro" e se transforma. Entretanto, agora há o fato de que nem Kenshin nem eu durante a interpretação podemos dizer qual personalidade está presente no momento da transformação. Nesse sentido, tudo se torna mais complexo que no filme anterior. São muitas as vezes em que, na ação do momento, não é possível identificar se é a personalidade do Battousai ou se ele está se segurando. Isso foi algo que eu particularmente achei interessante.

 

Kyoto Taika-hen Kyoto Taika-hen

 

TOM: Em "Inferno de Kyoto" há a cena em que Kenshin recebe a Sakabato Shinuchi para enfrentar o "Caçador de Espadas" Chou, do Juppongatana (Dez Espadas). Ao enfretá-lo, Kenshin ainda não sabia que a lâmina de sua espada era invertida e hesita em desembainhá-la. Sua mão até treme sobre a espada. Achei sua atuação ali excelente.

TS: Eu estava superanimado. Na verdade, essa cena foi muito discutida na fase de roteiro. Acho que o que fez dela uma grande cena foi o corte preciso do diretor. Filmar Rurouni Kenshin é fazer tudo com muito cuidado e repetidas vezes. Naquela cena, na cena da Kaoru e na cena em que ele pega a Sakabato Shinuchi, o Kenshin talvez tenha percebido que era uma espada com lâmina invertida. Levando em conta todas essas possibilidades, eu lutei de forma a interpretá-lo da melhor maneira. Falei bastante com o diretor sobre essa cena e ouvir você dizer que foi ótima me deixa muito feliz.

O que eu queria naquela cena era que Kenshin se tornasse Hitokiri por um momento e, então, mostrar um Kenshin triste. Quis mostrar seu rosto e toda sua bagage emocional, sua tristeza por ter matado alguém na frente de Kaoru. Eu vi essa se tornar a parte mais dramática da história.

No pequeno espaço de um segundo, Kenshin esquece de si mesmo e se torna Hitokiri. Assim, ele se pega pensando na Kaoru e pensa: "Acabei matando alguém, afinal" e "Eu sou o Hitokiri". Kenshin sente a tristeza como Battousai. Foi com essa visão em mente que passei por Kaoru.

 

TOM: Passar pela Kaoru foi um improviso na cena?

TS: Sim. No roteiro, tudo que estava escrito era que a cena mostrava Kenshin triste por ter matado alguém. Mas ao meu ver, mesmo após o reencontro, eles vão embora sem dizer nada. Era isso que eu queria fazer.

Sobre a cena, o diretor disse: "Vou decidir se uso essa cena depois de assistir". Quando eu assisti ao filme, ele tinha usado. O corte foi feito a partir da minha ideia e, no final, ficou incrível.

 

Rurouni Kenshin

 

Eu também sou fã de Rurouni Kenshin

TOM: Mudando um pouco de assunto, temos no nosso nome "Otaku Mode", então espero que você não se importe com uma pergunta otaku. Qual a técnica do Kenshin que você mais gosta?

TS: Acho que a Amakakeru Ryu no Hirameki.

 

TOM: A principal técnica secreta!

TS: Sim! Sabe... tem algo nesse nome... Eu gosto de pronunciá-lo. Amakakeru Ryu no Hirameki.

A técnica foi bem difícil para mim e para a equipe colocá-la no filme. Tanto no mangá quanto no anime, há cenas em que o Kenshin executa a técnica enquanto grita. Pensei em como eu poderia fazer aquilo da melhor forma e que ficasse bom quando visto. Espero que tenham percebido.

 

TOM: Você gostaria de dizer algo aos seus fãs pelo mundo?

TS: Foi porque vocês, fãs de todo o mundo, esperaram pacientemente que pudemos fazer essas sequências. Fico imensamente agradecido. Imensamente feliz.

Eu também estou com vocês, por assim dizer. Eu sou fã de Rurouni Kenshin. Sou alguém que gosta de ler a versão aprofundada do mangá... Eu posso também ser algum tipo de otaku, mas eu gosto mesmo.

Transformá-lo em filme de forma que os fãs do original pudessem curtir foi a minha prioridade. Não sabíamos se seria possível até tentarmos. Mas poder finalizar, incluindo a batalha com Shishio, dá uma sensação de que correu tudo bem e estou bastante confiante no resultado. Podem esperar um bom trabalho.

 

 

 

 

 

Conheça o site oficial da trilogia Rurouni Kenshin e o site oficial de Takeru Satoh.
Entrevista e imagens gentilmente cedidas à equipe da Crunchyroll.pt pela equipe editorial do Tokyo Otaku Mode.


Datatsushi é redator da CrunchyNotícias para a Crunchyroll.pt e é apaixonado por anime, comida japonesa e cultura asiática. Acompanhe seu atual projeto no youtube Drag-On Dragoon 3 e seus outros vídeos. Você também pode segui-lo no Twitter @_datatsushi_

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