Tiger & Bunny e porque a matriz da Panini precisa parar de empurrar licenças para o Brasil

Não é falado publicamente, mas todos já devem ter percebido que muitas vezes a editora Panini lança o mesmo título aqui e na Itália. São mercados bem diferentes, mas a facilidade da editora em adquirir licenças multirregionais pressiona a subsidiada brasileira a publicar algo que claramente não vingaria por aqui simplesmente porque a matriz comprou os direitos.

 

Afinal, se eu sou um empresário e tenho atuação em pelo menos uma dezena de países - e tenho um produto que posso lançar em todos esses territórios - por que eu restringiria o meu alcance?

 

É por isso que já fomos surpreendidos pela Panini com títulos completamente inesperados. Quando Tiger & Bunny foi anunciado, foi uma grande surpresa, e só tinha quatro volumes no Japão. Quando Tiger & Bunny Anthology, uma coletânea de histórias curtas veio, então, foi outra ainda maior. O que nunca foi surpresa quanto a esses lançamentos era o desempenho insatisfatório que teriam em banca.

 

Quando vieram, em 2013, a Panini já estava em uma sintonia bem melhor com o seu público: Toriko e Reborn inauguravam o segmento de escolha direta pelo público e, atenta aos sucessos no Japão, Ataque dos Titãs foi rapidamente providenciada pela editora. Houve, ainda, a publicação do primeiro databook de um mangá pela editora, com Naruto Rin no Shô. E a edição colorida de Highschool of The Dead, em um álbum de luxo.

 

As decisões daquele ano foram basicamente apostar em títulos muito pedidos, acompanhar as tendências da temporada e investir em novo material daquilo que já havia dado certo.

 

E então, do nada, Tiger & Bunny. Baseado em um anime que fora ao ar dois anos antes.

 

 

Coincidentemente, o mangá havia sido lançado na Itália, matriz da editora, poucos meses antes. Por lá, é possível que o resultado tenha sido bem diferente daqui. Afinal, enquanto Panini e JBC publicam juntas no Brasil uma média entre 30 e 40 mangás por mês, a Panini sozinha lá publica quase 80. E se você acha que tem muito Naruto aqui, saiba que lá o mangá já foi publicado em pelo menos cinco formatos diferentes.

 

O resultado da publicação da história dos heróis da NEXT? Quando o mangá principal encostou na publicação japonesa, entrou em hiato, e mesmo já concluído hoje por lá, nunca mais se ouviu notícia dele por aqui.

 

Se foi cancelado ainda não é possível saber devido a essa política um pouco turva de lidar com informações que mexam negativamente com a imagem da empresa, mas o último volume nacional saiu em fevereiro de 2014. Ou seja, faz dois anos que o mangá sumiu das bancas e nunca mais foi comentado um retorno. Não vendeu conforme o esperado por não ter sido estudado ou planejado para cá.

 

Uma nova Panini, mais comprometida, toma um golpe que acaba sendo articulado pela própria Panini que não está aqui. Que prejudica a Panini que está aqui, e que está lá.

 

Certamente, de 2013 para cá algumas coisas mudaram. Temos grandes sucessos da Shonen Jump como Kuroko's Basketball e Assassination Classroom, que nem mesmo a matriz possui, o que demonstra que coube muito mais ao Brasil decidir sobre isso. Mas ainda não é possível afirmar que outro "Tiger & Bunny" não surgirá por aqui. Mas esperamos que não.

 

As ideias e opiniões contidas neste texto pertencem unica e exclusivamente ao autor, sendo de sua responsabilidade, e não representam a Crunchyroll.


Estudante de Comunicação Social pela UFRJ, ex-editor do JBox e atual Analista de Mercado Editorial na Crunchyroll.pt.

 

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