[Resenha] Recovery of a MMO Junkie: A namoração da internet é boa, né?

Uma história levinha para fechar bem o final de semana!

Como preparação para a nossa maratona de animes dublados no Twitch amanhã, dia 28 de abril, trazemos para vocês mais uma resenha de um dos animes no cronograma: Recovery of a MMO Junkie (Net-juu no Susume: Recommendation of the Wonderful Virtual Life), a ser exibido a partir das 19h45! Essa obra é uma adaptação da webtoon/mangá homônimo de Rin Kokuyou.

 

Quando comecei a assistir esse anime, pensei que seria uma daquelas comédias cheias de referências a cultura pop, as quais eu geralmente gosto, mas essa obra vai muito além de piadas sobre NEET, gamers ou coisas assim. Aliás, eu diria que isso fica bem mais em segundo plano, esse é um drama levinho cheio de momentos engraçados que não necessariamente são sobre cultura pop (mas, obviamente, alguns são).

 

morioka

 

A histíria conta sobre Morioka Moriko (Morimori-chan para os íntimos... ou talvez não tão íntimos), uma mulher que, aos 30 anos, acabou de largar a carreira numa empresa para se tornar uma "NEET de elite". Vivendo agora em casa, ela resolve baixar um MMO para jogar, no qual cria um avatar masculino de cabelos azuis, Hayashi. Ela acaba tendo problemas para aprender a jogar, até que a personagem Lily, o avatar de alguma outra pessoa, resolve lhe ajudar. Hayashi e Lily vão jogando juntos e ficando cada vez mais próximos. Ao mesmo tempo, na vida real, ela conhece por acaso um rapaz chamado Sakurai Yuta, um assalariado loiro de olhos azuis.

 

Você consegue imaginar para onde isso vai caminhar? Uma das coisas que gosto muito nesse anime é que ele não tenta enganar o espectador: todas as viradas de roteiro são aquelas que a gente imagina logo no começo porque a graça não é o que vai acontecer e sim como vai acontecer. A preocupação em mostrar os personagens interagindo nos mundos online e offline, e assim desenvolvê-los, é bem maior do que criar suspense para o público.

 

Na minha opinião, um dos temas mais legais da obra é a questão da performance no mundo virtual. No começo, a história vai mostrando uma visão de que "jogo é jogo e vida é vida", ou seja, os avatares e os jogadores são existências diferentes, sendo que a performance no mundo virtual (ou seja, como a pessoa age) é diferente da do mundo real. Assim, existe, teoricamente, um distanciamento entre jogador e avatar. Aqui, uma coisa legal é que os avatares tem tipo uma vida própria.

 

hayashi

 

Mas, ao longo da narrativa, vamos percebendo que não é bem assim, ou, pelo menos não para todo mundo. As coisas vão se misturando e os eventos reais atrapalham ou são levados para o jogo, além de que experiências virtuais afetam os jogadores na vida real, ao menos emocionalmente, sendo então mais uma vida dupla do que "duas vidas". Os vínculos virtuais são sentidos como reais e, apesar dos avatares terem uma "vida própria", ela é atravessada pela vida real (por exemplo, quando alguém tem que sair, é como se o personagem in-game momentaneamente parasse de existir naquele mundo).

 

Não é só com Lily que Hayashi cria vínculos, ele vai formando amizades com todo mundo da guilda deles e isso impacta um tanto a vida real de Morioka. Um jeito bacana de representar isso é a personagem da abertura, que é uma "fusão" entre os dois mundos: ela é uma mistura entre a Morimori e o Hayashi, indicando que a separação entre real e virtual nem sempre é tão clara assim (mas há posteriormente uma certa "história" dela).

 

 

Apesar de ter se tornado uma NEET por vontade própria, Morioka tem uma certa vergonha da pessoa que ela é e acaba contando diversas mentiras online devido aos estigmas sociais do mundo real com relação a alguns assuntos. Mas, é por meio da comunidade online, que, nesse caso, é bem receptiva e amigável, que ela começa a enfrentar melhor também situações reais e também lidar um pouco com questões próprias de auto-imagem e auto-estima.

 

Mais do que fazer piada de videogame, Recovery of a MMO Junkie tenta mostrar como as experiências dentro dos jogos são experiências como quaisquer outras e podem muito bem valer para a vida real. Os laços virtuais não só podem ser sentidos como reais como também podem ser transportados para o mundo real, onde serão inclusive estreitados por estarem nos dois universos. As vivências dentro dos jogos não são vazias de conteúdo por serem "só jogos".

 

A série também brinca um pouco com a possibilidade do anonimato na internet, que, no fim das contas, acaba não sendo tão anônimo assim e aqui é onde mais entra, na minha visão, a parte cômica da obra. A sequência de "coincidências" é fofa, mas também engraçada e o anime não cansa de nos lembrar que ele também é uma ficção e por isso, tudo vale (e você também não cansa porque é divertido ver cada "e se?" se concretizando). "Isso não acontece no mundo real", sim, realmente não acontece (ou quase não acontece...?). Mas e daí? Nós nunca estivemos no mundo real, para começo de conversa.


Apesar de abordar tantas assuntos complexos, acredite, a série trata tudo com muita leveza. No fim das contas, MMO Junkie é uma ótima escolha para fechar seu domingo e também a nossa maratona, por isso, não perca!

 

Leia também as resenhas dos outros animes da maratona:

Resenha de Entrevistas com Garotas Monstro

Resenha de Orange

 

© Kokuyorin / comico / Recovery of a MMO Junkie Project


perfilLaura é graduada em Psicologia pela USP, redatora de notícias para a Crunchyroll.pt e eventualmente também escreve para o Nani. Entrou nessa de desenhos japoneses por causa de Cavaleiros do Zodíaco e está aí até hoje. Para surtos e reclamações mais pessoais, o Twitter é @gasseruto.

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