[Resenha] Knights of the Zodiac: Ao contrário das profecias, a nova versão de Cavaleiros do Zodíaco tem potencial

O medo cega os nossos sonhos

ATENÇÃO: A resenha não fala de momentos chave e evita dar spoilers, mas cita mudanças e algumas coisas por cima, além de mencionar momentos do original. As imagens usadas são apenas as que foram disponibilizadas previamente pela Netflix.

 

Estão já disponíveis na Netflix os seis primeiros episódios do reboot de Os Cavaleiros do Zodíaco feito em parceria com a Toei Animation. A equipe da Crunchyroll não perdeu tempo e já deu uma olhada na série! Vamos começar lembrando todos que, desde seu anúncio, o marketing da série explicitamente dizia que era uma nova versão focada no público infantil americano. Assim, cortes na violência do original (tanto o mangá quanto o anime) já eram esperados, até porque, são outros tempos, mas a série tem uma boa dose de lutas e ação e mantém certa violência, inclusive coisas que não são porradaria mas são um tanto pesadas. Importante também lembrar que inicialmente foram anunciados 12 episódios, cobrindo do começo até os cavaleiros de prata, mas só 6 foram liberados. A imprensa vem chamando isso de "Parte 1", mas não está claro se os outros seis serão considerados uma segunda temporada.

 

Ao começar a ver, eu esperava algo um tanto próximo a Ômega, uma obra com propósito parecido e possivelmente a mais bem sucedida iniciativa da Toei na franquia desde 2010 até hoje, com uma exibição que durou 2 anos e quase 100 episódios. Assim, para mim, faria um certo sentido seguir um "tom" próximo ao desse anime, mas Knights tenta ser um pouco mais ousado, com a inclusão de aparelhagem militar pesada, cujo objetivo parece ser deixar a obra mais dinâmica e com mais ação, além de ser um elemento bem comum em produções americanas. Contudo, ela ainda deixa sua marca infantil principalmente no humor, que na versão em português parece às vezes até um tanto forçado e deslocado (a em japonês é um pouco mais comedida nesse aspecto).

 

Ao contrário da impressão que tive no trailer mais recente, a história parece beber mais do mangá do que do anime, embora influências deste último sejam facilmente notadas. No entanto, é importante frisar que é uma adaptação, cheia de elementos novos e modificações, algumas são estranhas e não me agradaram muito, mas outras são boas (um beijo para o bueiro, me desculpem, mas eu gosto muito do bueiro), mas não tem nada que, na minha opinião, torne a série "um fracasso". A temporada completa ainda tem mais seis episódios então existem certas modificações que não parecem bem explicadas, mas ainda podem ser melhor trabalhadas.

 

 

Um dos maiores, senão o maior, problema dessa animação é a trilha sonora, que deixa muito a desejar. Ela não casa muito bem com a série, principalmente nos momentos de tensão. Com isso, certas cenas não parecem tão "vivas" ou "emocionantes" assim, não por um problema de animação na construção da cena, mas porque falta esse elemento para dar ainda mais tensão ao momento. O anime original conseguia dar emoção às lutas se apoiando na trilha sonora, já que possuía muitas cenas paradas e de diálogos, sem tanta ação mesmo. Uma trilha sonora mais marcante daria uma outra experiência nas cenas de maior carga dramática dessa adaptação.

 

A trama é bem construída (na medida do possível, porque a "temporada" está pela metade) e é visível uma preocupação em fazer um roteiro amarrado e coerente, "corrigindo" certas coisas que soam um tanto absurdas. Por exemplo, nessa versão, a possibilidade de Marin ser Seika faz muito mais sentido, a existência dos cavaleiros negros também e a rivalidade entre Cassius e Seiya é melhor explorada.

 

Embora animações em CG sejam odiadas por muitos, eu acho que Knights of the Zodiac sabe se aproveitar dessa tecnologia e produzir algo bacana. A adaptação tem um certo carisma, embora criticada por alguns por "parecer um jogo de videogame", para mim é um pouco uma questão de "estilo". Não acho que há nada muito incômodo e dá para assistir de boa.

 

 

Também há uma preocupação em construir pelo menos os personagens principais nessa primeira parte e eles possuem personalidades próprias e distintas e, claro, próximas aos originais, incluindo a Shun, que segue no mesmo fio do Shun, mas talvez tomando um pouco mais de iniciativa que o original. Nessa versão, me agradou bastante o Hyoga, que, até então, nunca esteve entre meus personagens favoritos. Talvez a personagem mais diferente seja a Saori, que não é tão arrogante ou mimada quanto no começo original, mas ainda assim ela segue mais ou menos essa linha de ser uma pessoa um tanto difícil de lidar nesse começo. A série também dá seu jeito de manter o "conflito" entre ela e o Seiya no começo da trama, mas, claro, em níveis bem mais baixos e de uma forma que faz sentido na história. Não dá ainda para saber qual o resultado final disso tudo, mas a série mostra sim potencial.

 

Eu acho muito complicado falar em "essência" da série, porque uma franquia com uma quantidade tão grande de fãs e de derivados obviamente atrai pessoas por motivos diferentes. Eu gostei do que vi num geral e acho que a nova obra se preocupa em manter certas coisas da franquia, mas não necessariamente serão as coisas que cada fã priorizaria, e fiquei na curiosidade pelo resto da temporada. Para quem não conhece a série, creio que essa seja uma versão interessante, pois ela tem a base da história, mas explora alguns pontos que no original deixam um pouco a desejar e tem uma linguagem mais atualizada. Enfim, são apenas seis episódios e acho que vale a pena dar uma olhada!

 

E você, assistiu a série? O que achou? Conte para a gente nos comentários!


© Masami Kurumada / Toei Animation


perfilLaura é mestranda em Letras na USP, redatora de notícias para a Crunchyroll.pt e eventualmente também escreve para o Nani. Entrou nessa de desenhos japoneses por causa de Cavaleiros do Zodíaco e está aí até hoje. Para surtos e reclamações mais pessoais, o Twitter é @gasseruto.

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