ENTREVISTA: Alfredo Rollo, a voz brasileira de Vegeta em Dragon Ball Super: SUPER HERO

Conheça a fundo o dono da voz do orgulhoso Príncipe dos Saiyajins!

 

Seguindo com as nossas entrevistas com o elenco da dublagem brasileira de Dragon Ball Super: SUPER HERO, hoje trazemos a nossa entrevista com o dublador Alfredo Rollo, conhecido por fazer a voz de Vegeta, o Príncipe dos Saiyajins e eterno rival de Goku. Ele nos contou como iniciou sua carreira de dublador, como é fazer a voz de um personagem tão temperamental como Vegeta, o traço de personalidade dele e muito mais! Boa leitura!

 


 

Pode nos contar como você iniciou sua carreira no ramo da dublagem e como foram os seus primeiros anos dublando o Vegeta?

 

Alfredo: Eu comecei lá em 1993, fazia Teatro e fiquei sabendo de um teste num estúdio chamado Mega-Som. Naquele momento, eu nunca havia trabalhado com dublagem, então eu e mais dois amigos decidimos ir. Chegando lá, fiz o primeiro teste de leitura, o diretor gostou e já me chamou para uma escala de dublagem. E essa primeira escala eu fiz com o Nelson Batista, que era simplesmente a valor do humorista Jerry Lewis no Brasil. Foi uma grande emoção e uma grande responsabilidade. Já sobre o Vegeta — foi muitos anos depois... Fiquei sabendo de um teste que ia ter para Dragon Ball, fui chamado para fazer o teste para o personagem Goku, não foi aprovado, porque precisam de uma voz mais suave... Mas aí uns episódios depois entrou o Vegeta, gostaram da minha voz e estou até hoje. Como a gente começou a dublar ouvindo a dublagem espanhola, nunca ouvíamos o original — só fomos ouvir muito tempo depois — e nos primeiros anos do Vegeta, eu achava que fazia a dublagem de um jeito muito “canastra”, exagerado... Mas os diretores acharam que estava indo bem, e com o feedback dos fãs, vi que estava indo no caminho certo!

 

 

 

Como dublador, você já fez a voz a vários personagens com personalidades calmas e tranquilas, porém o Vegeta é o completo oposto disso. Como é dublar alguém tão pavio-curto e temperamental?

 

Alfredo: Eu sempre achei muito divertido dublar o Vegeta... Principalmente porque ele é engraçado por ser mal-humorado, temperamental... E claro que eu coloco um pouco da minha personalidade por também ter um pouco dessas características, então me divirto muito fazendo ele... Às vezes podemos até dar uma improvisada e tal, mas pra mim sempre foi muito tranquilo fazê-lo. Acho que esse pavio-curto dele é o que o diferencia um pouco de outros personagens, e faz dele um antagonista tão amado.

 

 

O Vegeta foi alguém que surgiu como antagonista, mas ao longo da série não só mudou de lado como a convivência com Goku, Bulma e outros terráqueos o deixou mais bondoso a ponto de se importar com os outros, criar uma família e a ter filhos. Foi uma surpresa para você ver essa evolução no personagem?

 

Alfredo: Eu achei que foi uma curva de personagem muito interessante, ele se humanizou ao longo das sagas e talvez esse seja um dos motivos das pessoas de tanta identificação com o Vegeta, porque as pessoas perceberam a humanização do Vegeta — e de alguma forma, elas se viram nele. Como todos têm capacidade de mudar ao longo do tempo, e como se humanizam a partir da constituição de família, relação com outras pessoas... Então gostei muito de participar dessa curva do personagem, foi dramatúrgica, e foi um baita ganho para quem assiste à franquia, sobre como é possível mudar na vida.

 

 

O traço mais marcante no Vegeta é seu orgulho. No início da série vemos como esse orgulho era extremamente nocivo, o motivando a fazer atos brutais, ao mesmo tempo que por anos foi a única ferramenta que ele tinha para não ser menosprezado por ninguém. Depois, em Dragon Ball Super, esse orgulho se manifesta de forma bem mais saudável quando ele mostra o que sente por ser de uma raça guerreira que quase foi extinta. Como você vê esse traço de personalidade tão forte no Vegeta ao longo dos anos?

 

Alfredo: Realmente, o orgulho do Vegeta no início da série fez muito mal para ele. Colocou ele em muitas situações difíceis – mas ao mesmo tempo, protegia ele... Porque fazia com que ele mantivesse seu desejo de ser o guerreiro mais forte, então isso fazia com que ele continuasse se especializando e melhorando ainda mais suas especialidades. Mas no decorrer da série, eu considero essa mudança do orgulho eu considero como uma sublimação; ou seja, ele utiliza algo que já é da personalidade dele de forma positiva no sentido de ajudar outras pessoas, de se adaptar e deixar uma espécie de legado para quem vier depois dele, principalmente seus filhos. Então acho que é um orgulho humanizado, e está dentro de uma escala aceitável do personagem... Porque, com isso, ele passa a se reconhecer como alguém importante, alguém que tem um poder, que tem algo a dizer e mostrar à sociedade, mas agora de uma forma equilibrada e condizente com o ambiente e com as pessoas que ele vive.

 

 

Dragon Ball é cheio de momentos, seja combates mortais ou situações cômicas, mas teve algum momento em particular dublando o Vegeta que você guarda com carinho na memória?

 

Alfredo: A série inteira foi muito divertida e desafiadora de dublar... Os gritos, risada, todas as lutas... Eram sempre um grande desafio. Mas para mim, houve dois grandes momentos... O primeiro, no fim da saga do Majin Boo, da luta Majin Boo vs. Vegeta, foi muito emocionante. E depois, no Super, essa mudança dele me deixou muito feliz.

 

 

Na sua opinião, o que torna Dragon Ball uma série tão duradoura e querida por tantas pessoas?

 

Alfredo: Eu acho que é, principalmente, essa capacidade do público se identificar com os personagens. Eles vivenciam emoções, situações, relações que de alguma forma remetem a emoções, situações e relações reais do público... Então gera essa identificação. Mas com a diferença de que são personagens com poderes, golpes fortes, que são heróis ou vilões, então há sempre essa busca do público atrás do heroísmo... Então acho que todos esses ingredientes faz com que essa identificação aumente cada vez mais, e por isso as pessoas se envolvem tanto com os personagens, suas histórias, e pelas situações que eles passam... Então acho que é essa possibilidade de trazer essa “alma humana” para esse contexto super fora de humanidade, com heroísmo, mortes, e lutas... Acho que a forma com como o Goku costura todas essas relações gera essa grande identificação do público e faz com que a série seja tão longeva como é.

 

 

Tem alguma mensagem que queira dizer aos fãs que aguardam para assistir ao Dragon Ball Super: SUPER HERO?

 

Alfredo: Preparem-se! Pelo que eu já tive a oportunidade de ouvir e ver, a animação está muito legal! As vozes estão incríveis! E vai ser uma aventura, na minha opinião, um pouco diferente... E pode ser surpreendente positivamente para quem for assistir. Vai ser, como sempre, divertido, e todo mundo vai gostar muito! Eu gostei muito do que eu fiz e vi!

 


 

 

Não perca o filme de Dragon Ball Super: SUPER HERO, que estreia nos cinemas brasileiros dia 18 de agosto de 2022! Garanta já o seu ingresso!

 

Confira essa e outras entrevistas com o elenco de dublagem:

 

[EM BREVE]

 

 

 


Samir “Twero” Fraiha é redator de notícias da Crunchyroll.pt. Formado em Letras e em Artes Visuais, curte animes, mangás e games desde os 5 anos e é fã dos jogos da CyberConnect2. É bem ativo no Twitter como @Twero e também gosta de gravar e editar podcasts.

Outras notícias principais

3 comentários
Ordenar por:
Hime banner

Experimenta a nova Crunchyroll Beta

Quero experimentar