Aku no Hana 11 - Review do redator

Desde o culto de tinta e giz à depressão mórbida - contém spoilers!

Rotoscopia...nas palavras do autor, fora exatamente o tormento de Kasuga, pensamentos em um circulo vicioso, intenso, perturbador, ministrado por uma mestre, louca, outra tarada, Nakamura, ansiosa por algo diferente à rotina monótona do colegial, e uma sede avassaladora sobre Kasuga e sua mascara fetichista. O culto de tinta e giz fora o êxtase para os dois cúmplices na transgressão, naquela sala de aula, naquela noite, o mal era palpável, o ar era enegrecido, os pensamentos não tinham qualquer barreira moral, e em meio a dança cerimonial, seus corações se tocavam, se completavam, realizaram ali juntos muito mais do que anos de relacionamento poderiam proporcionar, considerando a grande parte dos casais, hoje em dia, perdidos em seus problemas umbilicais, presos às fantasias do colchão.

 

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Kasuga e Nakamura não são um casal. A namorada de Kasuga, sua tara, divina musa, deusa do olimpo, é Saeki, seu fetichismo é por ela, as roupas que furtou eram dela, sua culpa é por ela, Nakamura é sua dominadora, controladora dos seus impulsos, sentimentos e pensamentos. Kasuga não pode amar Saeki sem que seus pensamentos passem por ela, Nakamura, sua dominadora, sua dona. Da carnificina moral à rua, Kasuga e Nakamura saem da sala de aula, transformada em santuário, em retorno à suas casas, sem palavras, mãos dadas, corações entrelaçados. 

 

 

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A descoberta do santuário, desconsiderando o inevitável, transmite uma outra realidade para quem ainda vive no mundo literal das obrigações e rotina. Loucura, ódio e medo. Um tarado solto, perturbado, insaciável, cercando psicologicamente sua tara. Ali, no chão, onde a flor de Aku no Hana em tinta marcava o centro do santuário, estavam as roupas de ginástica de Saeki, não só manchadas de tinta, como agora de choros apavorados e olhares de repulsa e medo.   

 

 

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-Vamos terminar- disse Kasuga à Saeki, logo que ela assimilou a arte cerimonial, no piso do santuário, com a capa do livro de Baudelaire, Aku no Hana: - Foi você, Kasuga... -disse-lhe Saeki.  –Não quero terminar. É nesse momento que Kasuga deveria encontrar a real divindade do amor em Saeki, sua compreensão infinita e perdão, somente possíveis para aqueles realmente iluminados.  No entanto, perde-se na ilusão de sua rotoscopia, falta à aula no dia seguinte, o mundo não pode mais abrigá-lo, todo lugar pode revelá-lo, fazer sua mascara cair, o tarado, não pode permitir que isso ocorra. Kasuga foge com Nakamura, e usa a mesma bicicleta em que, nos primeiros capítulos, pedalava e gritava o ódio de seu fetichismo, na realização de que sua tara era maior que a ele próprio, e o dominava por completo.

 

 

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A fuga, a chuva e o outro lado da montanha. O momento da fuga e o tempo que Kasuga passa com Nakamura são únicos, e embora Saeki procure a salvação do seu amor e arrisque-se por isso, indo atrás dele, encontrando-o, confrontando sua dominadora, seus laços com Nakamura transcendem as próprias forças da tara que o domina, e embora não perceba o quanto está ligado “ao contrato”, Saeki, ao esgotar-se em lágrimas, sofrimento e suor, entende que não pode mais transpor, com seu amor, a depressão infinita “rotoscopica” do tarado, “inseto de merda”, vazio por dentro, de Kasuga, e seu “jamais merecerei o seu amor, Saeki”.

 

 

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A vergonha pública desola Kasuga. Obrigado a voltar a sua rotina, agora mais mortal, embora nem todos saibam, a decepção dos seus pais, de Saeki e de seus pais, de Nakamura, arrasam Kasuga, devoram sua mente num mar de flores do mal. Kasuga caminha em sua depressão mórbida, sem rumo, não tem mais sua mestre consigo, sua musa é seu espelho de vergonha, seu olhar é vazio, seus pensamentos são escuros, enevoados, perdidos...

 

-Por que você não fugiu comigo, para os confins da montanha, Kasuga?

 

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O pensamento rompe-lhe a névoa como um raio de sol, Kasuga ilumina-se. A revelação é tão forte que, Saeki desaparece completamente, todo amor e felicidade platônica compartilhada pelos dois, naqueles breves momentos, agora mais parecem um grão de areia. Kasuga parece compreender, nesse momento, a real ideia da fuga para o outro lado da montanha, com Nakamura, sua dominadora e mestre. Parece compreender que seu sentimento por Saeki é fundado numa tara compreensível, comum, entretanto potencializada pela circunstância, e de certo por alguma fraqueza em controlar o ego, não importa mais, pois nesse tempo de um mês, perdido em pensamentos sombrios, Nakamura estava sozinha novamente, assim como antes de tê-lo conhecido de verdade, sem a mascara, nu, Kasuga, o “hentai”, do contrato ao culto de tinta, giz e amor, aquelas mãos dadas não eram apenas uma compreensão mútua de seus medos e taras desvairadas, era paixão pura e arrebatadora, era felicidade nua, fresca e desejosa do seu ser.  

 

Acompanhe aqui Aku no Hana. Não deixe de comentar no fórum especial Flowers of Evil.

 

 

via Crunchyroll
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