[ESPECIAL] Um jogo tão fofo... e tão bizarro! Conheça Doki Doki Literature Club

Apenas Monika... aPEnas MOniKa... apEnaS moNIKa... ApEnAs mOnIkA,,, APENAS MONIKA

Doki Doki Literature Club 

 

O ano de 2017 foi pródigo em jogos para computador. Tivemos dois nesse ano que se destacaram para mim: Sonic Mania e Cuphead. Enquanto o primeiro se mostrou uma repintura dos clássicos jogos da Sega do porco espinho, o segundo cheira a novidade com ares de velharia, tudo simplesmente fantástico. São dois jogos obrigatórios para se ter instalados no seu PC.

 

Mas, procurando por novidades, distraidamente encontrei no Steam Doki Doki Literature Club (ou DDLC). Um jogo indie no estilo visual novel, lançado em 22 de setembro de 2017, criado por Dan Salvato e ilustrado por Satchely (personagens) e Velinquent (cenários) em seu estúdio Team Salvato, com interação entre você e as garotas de um "clube de literatura" tipico de uma escola japonesa. Com duas vantagens: é gratuito, e possui um mod de tradução completo.

 

E pensei: "Por que não dar uma chance?" E dei, apesar de um aviso um tanto estranho logo de inicio: Esse jogo não é adequado para crianças ou para aqueles que são facilmente perturbados. (acreditem, esse aviso não deve ser ignorado). Achei um tanto exagerado para o estilo do jogo. Mais tarde descobri a razão do aviso, e confesso que não achei que chegaria a tanto, fui surpreendido com um soco de realidade violenta no estômago após aquele início cor de rosa. 

 

Como toda Visual Novel, ele tem um esquema parecido: interagir com garotas e, através de múltiplas escolhas, definir a rota de uma delas e torcer para que haja um final romântico. Pelo menos é o que o jogo quer que você acredite...


Falar sobre esse tipo de jogo é quase impossível sem dar spoilers, mas tentarei na medida do possível ocultá-los, para não estragar sua experiência de jogo. Os spoilers estão em destaque entre colchetes, passe o cursor por cima para ver, mas é por sua conta e risco. 

 



Começando do início


DDLC é uma carta de amor e ódio aos Visual Novels e a cultura anime, de acordo com seu próprio criador. O jogo brinca com diversos estereótipos do tema e engana bem o jogador por um bom momento. No início parece que você é só um jovem garoto do Japão que entra para um clube de poesia com garotas bonitas que tem uma queda por você,



[mas o clima do jogo vai ficando cada vez mais pesado até chegar um ponto que tudo é jogado para o alto e a realidade é transformada de uma forma absurda].


  

Vendendo sua alma por um cupcake


Começando por sua amiga de infância, Sayori, que com seu jeitinho cativante o convence a conhecer o clube de literatura, já com a segunda intenção de incluí-lo lá com a promessa de ganhar um cupcake dos membros do clube.


Chegando lá, conhece os outros membros, todas garotas: Yuri, a tímida e inteligente fã de histórias de terror e bem elaboradas; Natsuki, a pequena de língua afiada e comportamento tsundere; e Monika, a gentil e atenciosa presidente do clube. Alguém que para o protagonista parecia inacessível: bonita, inteligente, atlética e invejada pelas outras garotas da escola.


Doki Doki Literature Club

Sayori, Yuri, Monika e Natsuki 

 

Depois de ter sido induzido a se tornar membro do clube, você agora pode interagir com as garotas através de poesias ou, de acordo com a mecânica do jogo, palavras que devem ser escolhidas e que irão direcionar a história para cada uma das três (Sayori, que gosta de palavras alegres; Natsuki, que gosta de palavras fofas; e Yuri, que prefere palavras mais pesadas).

 

Mais tarde, conforme o jogo se desenrola, você descobre que a personalidade aparente das garotas é pura fachada para algo bem mais profundo:

 


[Sayori possui depressão crônica e tendências suicidas; Yuri mutila a si mesma cortando seus braços, coleciona facas e possui uma personalidade que mais parece uma enciclopédia de psiquiatria, com sintomas como obsessão, crises de ansiedade com válvulas de escape violentas e hiperexcitação; e Natsuki é abusada psicologicamente pelo pai, que chega a ir embora de casa sem deixar comida ou dinheiro para a filha.]


 

E, ao saber do segredo da Sayori, você se encontra em uma posição perigosa: aceitar a sua confissão de amor ou não? Entregar seu coração a uma das outras garotas e manter a amizade simplesmente? Mas isso não irá só piorar as coisas?


Uma palavra define DDLC: inevitabilidade. É como se o jogo jogasse com você e, independente da escolha que tenha feito, muito pouco ou quase nada possa ser feito para evitar o que vem pela frente. E você sabe o que vai acontecer, até prevê que vai acontecer, mas mesmo assim é pego de guarda aberta, se surpreende em ver que aconteceu e, impotente, assiste aos fatos acontecendo diante de seus olhos.




Vós que entrais, abandonai toda a esperança: trilhando o caminho do inferno


Depois desse fato bizarro [Sayori aparece enforcada no seu quarto], o jogo recomeça, mas de forma estranha: cheio de erros de programação, como bugs e glitches, palavras perturbadas e insanas e alterações no comportamento das garotas, o que prevê que alguma tragédia vai acontecer.


Quase no final do jogo, uma das personagens revela tudo o que está por trás daquele mistério todo de terror psicológico e quebra a quarta parede, obrigando o jogador (não mais o protagonista) a alterar os arquivos do sistema do próprio para sair da situação a que se expôs.


E, dependendo de suas decisões durante o jogo, pode-se ir ao final ruim ou ao que mais parece com um final bom.




Conclusões finais


DDLC não é um jogo, é uma experiência de vida. É fácil se apegar às personagens e usá-las como referência de algum conhecido que passou pelos mesmos traumas psíquicos, o que cria um vínculo e o desejo que tudo acabe bem. Mas, como eu disse antes, a inevitabilidade cuida de destruir nossas esperanças e nos jogar em um mar de desespero e desilusão, em um choque de realidade tão amargo que pode ficar por dias em sua boca.


Portanto, as únicas pessoas que não se envolverão pela história serão as de caráter frio, indiferente, que desde o início irão encarar o jogo somente como isso, um jogo. Ou já vêm carregadas de spoilers, sabendo exatamente que caminho trilhar.


Para que você tenha uma experiência plena no jogo, siga essas 3 dicas:

 

1) jogue com o mínimo de spoilers possível;

2) não se preocupe se as coisas parecerem que estão demorando, seja persistente;

3) tudo, repito, absolutamente tudo, é intencional nesse jogo, até os bugs e glitches.

 

Apenas como curiosidade, conceitos como quebrar a quarta parede ou alterar arquivos já haviam sido usados anteriormente em jogos como Kimi to Kanojo to Kanojo no Koi, da Nitroplus, mas isso não tira de DDLC seus méritos. Ele reinventa a roda e é bom o bastante para andar com as próprias pernas, sem depender de comparativos (poderíamos dizer que soa mais como homenagem).


Por fim, DDLC é um excelente jogo, que abrirá seus horizontes aos problemas que envolvem as pessoas à nossa volta, que usam uma casca de normalidade para disfarçar a profundidade sombria de suas próprias personalidades. Mas advirto: NÂO JOGUEM! Não joguem porque ele é bom demais, mas se ainda quiserem jogar, baixem ele do Steam ou do site do criador.


Lembrem-se: vocês foram avisados!!!!

 

Doki Doki Literature Club

 

Todas as opiniões contidas nesse especial são de inteira responsabilidade do redator, não sendo necessariamente as mesmas da Crunchyroll. 

 


Fábio Luz

FabioLuz é redator da CrunchyNotícias para a Crunchyroll.pt, além de metido a escritor de romances e Light Novels sob o pseudônimo de Isao Ooyama. É obcecado por notícias sobre número de vendas de BDs/DVDs, mangás e Light Novels no Japão. Quer saber se o seu anime vendeu bem? Pergunte a ele! Siga-o no Twitter: @FabioLuzCR

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