[Opinião] JBC deveria relançar Inu-Yasha apenas em plataformas digitais

E agora, JBC?

Em abril de 2016 a JBC promoveu uma pesquisa inédita permitindo que o público escolhesse um mangá a ser relançado pela editora futuramente. Em uma lista pré-definida onde se supõe que as negociações ocorreriam de maneira mais fácil, vieram Angelic Layer, Cowboy Bebop, Shaman King, Fruits Basket, A Princesa e o Cavaleiro, e Inu-Yasha.

 

Recebendo mais de 15 mil votos na enquete, Inu-Yasha foi o grande vencedor com mais da metade desses. Detentor do título de mangá mais longo publicado no Brasil - já que sua publicacão brasileira teve 112 volumes meio-tanko - não demorou muito para que a volta do mangá se mostrasse um verdadeiro impasse, que até esse momento de 2018 não foi resolvido.

 

A editora anunciou em novembro do ano passado que as negociações para o retorno do título estão paradas, mas que o mesmo não foi cancelado. Vale lembrar que, ao longo de sua história, a editora  - hoje encabeçada por Cassius Medauar -cancelou apenas um título, que havia sido adquirido ainda na era Marcel Del Greco: Futari H.

 

Fato é que trazer o mangá de Kagome e companhia de volta será um enorme desafio para a editora, que nos últimos anos enxugou seu checklist que passava de 12 mangás mensais para uma tímida lista de cinco ou seis mensais. A situação da editora não parece ser boa, e o apego a tantos relançamentos recentes incluindo Lost Canvas é sinal disso. As apostas praticamente não são apostas, já que apontam para decisões mais conservadoras, demonstrando que não há espaço para assumir riscos nesse momento.

 

Então, o que fazer para cumprir uma promessa e não se afundar por conta disso?

 

 

Formato normal em offset, big, ou omimnibus: nada adianta. Estamos falando de um mangá que possui 56 volumes, e que nesses formatos teria, respectivamente, 56, 28, ou 19 edições. Em ritmo bimestral, mesmo a publicação mais compactada levaria mais de três anos para ser concluída, e sabemos que há uma curva decrescente de lucro edição após edição. Como a editora lidaria com isso em um título que teria um custo acima da edição big, que atualmente é de R$40,00?

 

Também é importante lembrar que quando Inu-Yasha foi lançado no Brasil houve uma boa sincronia entre a exibição do anime pelo Cartoon Network, através do Toonami, e a publicação da editora. Alguns episódios chegaram a ser exibidos pela Rede Globo também, no extinto TV Globinho. O impulsionamento orgânico ajudou a série a sobreviver por longos oito anos, que poderiam ter sido mais se em determinado momento a JBC não tivesse decidido por tornar o mangá quinzenal!

 

Perceba aí que já não foi fácil quando a JBC aparentava ter uma saúde financeira melhor que a de hoje, e isso com a franquia fazendo relativo sucesso por causa do anime transmitido em televisão aberta e fechada. Por isso, ao menos em curto e médio prazo parece inviável vermos Inu-Yasha nas bancas ou livrarias novamente. O mais sensato, porém errado com o público que acreditou que escolheria o próximo relançamento da editora, seria cancelar. Mas pelo histórico da editora acreditamos que essa não é uma opção, muito menos inventar uma história de geladeira para não lidar com os problemas que arrumou.

 

 

Sendo assim, após anunciada sua entrada no mercado digital e com a publicação dos seus primeiros títulos na Amazon e lojas de livros digitais, a publicação de Inu-Yasha via e-book parece a solução mais lógica e saudável nesse momento.

 

Claro, sem a menor sombra de dúvidas não seria a solução que deixaria o público mais feliz. Quando falamos em relançamento esperamos edições físicas bem acabadas, um material que perpetue um título pelo qual temos apego. Mas uma publicação digital do título poderia ter sua importância e validade ao adaptar melhor a tradução do mangá, que na época estava muito alinhada à dublagem do anime.

 

Outro ponto a se observar é que mesmo a publicação digital teria seus custos, que mesmo na inexistência de números oficiais para o custo de uma tradução, por exemplo, podemos estimar que não é barato, ainda mais se tratando de 56 volumes de um mangá. Somado a isso, temos o valor do registro dos mesmos na ISBN, e vários outros. Porém, todos esses parecem ser menores que os de colocar Inu-Yasha nas bancas novamente.

 

Mais um dilema em publicar digitalmente é que, apesar de teoricamente mais barato, podemos imaginar que o retorno para a editora não será o mesmo. Estamos em um mercado que está acostumado a colocar seus mangás na estante, e que engatinha nesse processo de digitalização.

 

Então valeria a pena mesmo? Essa é uma pergunta que só a JBC saberia responder. Talvez publicar digitalmente traga prejuízos, assim como uma edição física também traria. Mas há três opções possíveis aqui: publicar uma edição física, uma digital, ou cancelar. Qual das três seria menos prejudicial, tanto em termos financeiros quanto de imagem?


Essa é uma novela que assim como Inu-Yasha será longa e ainda terá muitos capítulos. Aguardemos o melhor desfecho possível.



Com informações do BBM e Mais de Oito Mil.


Eduardo Moncken é jornalista formado pela UFRJ e editor-chefe da Crunchyroll no Brasil. Está falando sobre o mercado editorial de quadrinhos desde 2010.  

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inu-yasha, jbc, shogakukan
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