Kotoura-san o melhor desta temporada de inverno.
Antes de mais nada, gostaria de escrever porque não faço mais análises de capítulos iniciais. Não o faço, pois os enredos tem demonstrado muita variação e capítulos que alternam grandeza e instabilidade. Além deste fator, algumas séries apresentam arcos bem definidos, em apenas 13 capítulos, como é o caso de Kotoura-san e Kokoro Connect. A ...
Kotoura-san o melhor desta temporada de inverno.
Antes de mais nada, gostaria de escrever porque não faço mais análises de capítulos iniciais. Não o faço, pois os enredos tem demonstrado muita variação e capítulos que alternam grandeza e instabilidade. Além deste fator, algumas séries apresentam arcos bem definidos, em apenas 13 capítulos, como é o caso de Kotoura-san e Kokoro Connect. A análise de capítulos iniciais, por esses motivos, tem se apresentada incompleta e falha para julgar uma série plenamente. Já a análise final, apresentando todo o conteúdo, serve aos que não assistiram a série, mas tem curiosidade de ver e buscam análises completas para estimular seu interesse. Por isso, motivo-me a criar análises completas.
Nesta temporada de Inverno 2013, tivemos algumas séries que obedeceram o que está escrito acima. Notem que o que está escrito abaixo demonstra meu gosto pessoal, portanto, passível sempre de questionamento. Para meu gosto pessoal, estes foram os três primeiros colocados:
1- Kotoura-san- pelos motivos expostos nos parágrafos seguintes.
2- Problem Children are Coming from Another World, aren't they?- este parecia uma cópia de Dog Days, por apresentar uma premissa idêntica a da série mencionada, mas evoluiu de maneira consistente e personalidade própria. Tornou-se meu segundo predileto, por apresentar uma história interessante, personagens únicos e uma boa animação, muito longe da evolução do enredo de Dog Days, ou seja, criou-se forte e único.
3- The Unlimited Hyobu Kiyosuke- o que se apresentou no primeiro capítulo me fez crer que esta seria minha série número 1, mas foi perdendo foco, alternando capítulos bons, com capítulos medianos, até que conseguiu se recuperar na fase final. Também, devo dizer que ficou muito próximo ao enredo de X-Men, por isso, diferente do segundo colocado, criou-se uma história semelhante aos X-Men, mas sem conseguir sair da sombra das histórias americanas.
Kotoura-san foi a série primeira colocada. Será impossível comentar a série sem revelar alguns spoilers, por isso, peço atenção ao se ler. Já no capítulo inicial, notei que a diferença entre “Carrie” (personagem do livro homônimo de Stephen King) e a Kotoura era, justamente, uma única amizade. Descrevo melhor cada arco à seguir.
No primeiro arco, nós somos apresentados ao passado da personagem que, enquanto jovem, desenvolveu habilidade psíquica que lhe dava a possibilidade de ler pensamentos. Esta marca lembrou-me muito os quadrinhos americanos, pois foram estes quadrinhos que me apresentaram a esta forma de enredo. Kotoura era uma garotinha simples, que não sabia de sua habilidade e isso lhe causou sofrimento, pois ela revelava segredos das pessoas ao seu redor sem ter a intenção de fazê-lo. Começou a segregação por este fator. Todos começaram a isolá-la, odiá-la e a agredi-la. Em casa, a situação não era diferente e a família se dissolveu. Sua mãe a abandonou também. Este é o ponto da construção da personalidade da Kotoura-san. Uma garota isolada, melancólica, triste e que estava a um passo de desenvolver a agressividade da Carrie. Ela mesmo se considerava uma pessoa estranha. Neste ponto da história, Carrie e Kotoura se distanciam. Kotoura se muda por um novo colégio e conhece Manabe que descobre o poder e se apaixona por ela. Para definir esse ponto, como ponto de ruptura, entre o passado da Kotoura-san e seu presente e futuro, o diretor usa de um artifício simples, que foi a de quebrar a imagem em pequenos pedaços, simbolizando tal ruptura. Este arco demonstra, claramente, a tragédia de seu passado e sua redenção. Um drama muito bem contado, simples, mas conduzido de forma crível e eficiente. Um arco que desenvolve influências nos demais.
O segundo arco sai completamente da sombra dramática do primeiro arco e torna-se uma comédia definitivamente. As situações aqui apresentadas são realizadas constantemente nas séries cômicas. Muitos reclamaram que queriam que a série tivesse continuado da forma como foi o primeiro arco, que mesclava comédia e drama, mas o drama predominava. Acho que a série deu uma aliviada e que isto foi ótimo. A comédia tem uma função difícil, mas é um instrumento eficiente que cativa o público, pois:
“O cômico tem seu lugar garantido ao abrigar a lógica da complexidade: idéias que parecem incoerentes ou absurdas, o duplo sentido, o erro, a irracionalidade. Ele se caracteriza por colocar-se à margem da sociedade, questionando a estrutura da ordem social, tratando do reprimido, ligando o homem à sua essência e à sua condição”. (MASETTI, 1998: p. 2)
E isso foi demonstrado durante este arco por inúmeras piadas condizentes com este contexto. Além disso, o lado cômico desenvolve mais afetividade no público que o drama, pois torna os personagens simpáticos e desenvolve uma boa sensação de otimismo, ou seja, de um sentimento de liberação. E este arco foi muito eficiente no que se propôs. Deixe-mos Kotoura viver sua felicidade reprimida, com seus amigos, para demonstrar, também, que não existe um dom que não traga benefícios.
Já o terceiro, e último arco, se desenvolveu de maneira inesperada. O arco se apresentou justamente após o arco cômico e de uma forma repentina. Em menos de 15 segundos, tudo mudou na série novamente. Este foi um ótimo ponto da série, pois torna-se difícil de se prever. A série apresentava seu lado policial, com uma história sobre uma investigação de uma série de crimes. Infelizmente, já no terceiro capítulo, eu já sabia quem era a criminosa e já tinha até brincado com isso no Google Plus. Todavia, este arco foi importante, pois desenvolveu a personalidade da Kotoura. Alguns personagens do passado retornaram e ficamos mais próximos de seus sentimentos. Kotoura demonstrou o quanto evoluiu, por ter amigos, e como seus poderes poderiam prejudicar seus relacionamentos, por causa de uma leitura superficial de pensamentos. Ela, então, percebe que a necessidade de palavras é tão importante quanto a leitura de pensamentos.
São três arcos bem definidos, cada qual com seus pontos fortes, mas que construíram, juntos, uma série carismática, envolvente e com muitas mensagens poderosas sobre amor, amizade, palavras e relacionamentos. Pelos fatores apresentados, na minha opinião, esta foi a melhor série desta temporada e, sem dúvida, já está no meu TOP 10 de 2013.
Aqui, para finalizar, deixo um pedido. Com a evolução dos serviços de streamings, acredito que as empresas japonesas devam verificar o sucesso de uma série a nível mundial, uma vez que estes portais nos deixam participar da audiência de uma série. O dinheiro de uma série virá, também, do exterior, com assinaturas premium, e audiência, por isso, acredito que o sucesso de uma série deveria ser medido, à partir deste ano, de uma forma mais global.