Atenção, a análise pode conter spoilers. Se você ainda não assistiu a série, recomendo que o faça primeiro.
Enredo
Eve no Jikan se passa em um mundo futurístico, onde os robôs se tornaram parte de dia a dia das pessoas. Os androides (robôs com forma humana) se tornaram idênticos aos seres humanos, tendo como única forma de distinção uma espécie de auréola sobre suas ...
Atenção, a análise pode conter spoilers. Se você ainda não assistiu a série, recomendo que o faça primeiro.
Enredo
Eve no Jikan se passa em um mundo futurístico, onde os robôs se tornaram parte de dia a dia das pessoas. Os androides (robôs com forma humana) se tornaram idênticos aos seres humanos, tendo como única forma de distinção uma espécie de auréola sobre suas cabeças. Nesse mundo, é comum tratar os androides como meras ferramentas e objetos. Aqueles que o tratam como seres humanos são chamados de Fandroids e vistos como pessoas incapazes de se socializar com outros seres humanos, sofrendo grande preconceito da sociedade.
Somos apresentados então ao protagonista da história, Rikuo, um garoto que pergunta a si mesmo sobre o funcionamento desse sistema e se questiona se ele seria certo ou errado. Ao fazer uma checagem rotineira em sua androide doméstica, Rikuo começa a descobrir atos de independência dos robôs. Sabendo então que a sua “ferramenta” havia tomado um desvio no caminho para casa por vontade própria, Rikuo decide investigar o caso. É então que ele conhece uma loja chamada Eve no Jikan (o tempo de Eva), um café onde possui como única regra, a não discriminação entre humanos e robôs. Nesse local, os androides mantêm suas auréolas desativadas e se “misturam” aos seres humanos, fazendo com que ninguém saiba dizer quem é humano e quem é robô, um local ao qual os robôs poderiam agir como eles mesmos.
Ponto central
Eve no Jikan possui como principal foco a relação entre os personagens, seja entre humanos e robôs ou até mesmo entre os próprios robôs. Relação esta que é muito bem trabalhada na obra. Podemos ver inclusive a evolução na forma do pensamento de Rikuo com relação aos robôs no início e no final da série, resultado de sua interação com os clientes do café. Assim como alguns humanos tentam entender os robôs, estes tentam entender os seres humanos.
Além disso, temos um episódio dedicado para cada personagem da obra. Em um dos episódios, somos apresentados a um robô “sem nome”, antigo e que não possui uma aparência humana. Ainda assim, ele é tratado como um humano, por mais que todos no local pudessem distinguir. E mesmo este possuía vontade e um objetivo, que o fez fugir e sobreviver até então.
A primeira vista o “vilão” da história pode parecer o comitê de ética, uma organização do governo que tente prevenir que os humanos tratem os robôs como seus semelhantes. No entanto, é importante ressaltar que o próprio comitê possui seus motivos para isso, tais como queda de natalidade, dessocialização dos indivíduos e a completa substituição dos seres humanos por robôs. Mas que um medo, isso é uma preocupação real, e que deve ser mediada para evitar problemas gerais, sejam sociais, econômicos etc. Na verdade, o grande vilão da história seria a própria sociedade e sua ideologia. Rikuo e Masaki ao início da série apenas agem como o resto da sociedade, agem da forma “normal” imposta pela sociedade. Em uma cena podemos ver uma garota agradecendo seu androide e logo sendo alvo de chacota dos seus colegas de classe. Esse tipo de situação força o indivíduo a se integrar a sociedade.
6 episódios – pontos fortes
Devido ao fato da obra possuir apenas 6 episódios, há uma limitação de até onde os autores podem trabalhar e desenvolve-la, correndo o risco da história ficar corrida. No entanto, em Eve no Jikan, isso não ocorre, a obra não é lenta nem rápida, estando na medida certa. Logo no começo da série somos apresentados ao cenário desse universo de forma natural, utilizando a TV como meio ao mesmo tempo em que os personagens interagem, fazendo com que uma explicação que poderia gastar muito mais tempo ou parecer forçada, fluísse de forma muito natural. Dividindo um episódio para cada personagem foi possível tratar de cada um deles e suas relações com os demais indivíduos de forma muito agradável e organizada.
6 episódios – pontos fracos
Bom, esse quesito é complicado, já que o ponto forte da série se torna o seu maior inimigo. A relação dos personagens é muito bem retratada, mas justamente atiça a curiosidade e faz com que queiramos ver mais esse desenvolvimento. Mas com míseros 6 episódios e um grande elenco de personagens, é muito difícil mostrar tal evolução sem abandonar algum deles. A relação entre Sammy (a androide doméstica do protagonista) e Rikuo é muito divertida de se ver, mas faz com o expectador queira ver mais do seu desenvolvimento. No entanto, a obra passa muito tempo com a Sammy se escondendo de seu “mestre” no café, justamente para que dessa forma fosse possível balancear todos os personagens sem que os secundários ficassem esquecidos. Mas faz com que tenhamos uma expectativa que não é atendida, causando uma decepção.
Personagens
Os personagens são bem trabalhados, mas como já foi dito antes, poderia haver um melhor desenvolvimento se houvessem mais episódios. Rikuo é um protagonista mediano, mas com uma personalidade perfeita para o cenário. É um personagem que se completa mesmo com os outros que o cercam. Individualmente ele não possui nada de especial, mas que o torna agradável junto com a Sammy, por exemplo, ou o seu contraste com Masaki, sendo impossível não fazer uma comparação entre esses dois e observar a forma diferente que cada um deles evoluiu na série. Masaki é o personagem que serve como companheiro de Rikuo para que ele tenha com quem dialogar com relação ao café, assim como aquele que contraria a forma de Rikuo pensar após conhecer o café. Masaki é de certa forma a representação da sociedade. Embora o mesmo tenha dúvidas com relação a sua forma de pensar, após idas diárias ao café, ele força a si mesmo a acreditar que a sociedade está correta. Os demais clientes são bem retratados também, com um episódio para cada, o autor conseguiu apresentar e trabalhar bem com cada um deles, fazendo com que o próprio expectador se pergunte quem é humano e quem é robô. No entanto, personagens chaves como a Nagi não possuíram tanta profundidade quanto deveriam.
Mistério
Não é o foco do anime, mas ele existe bem, e parece interessante. Muitas coisas com relação ao “acidente” que ocorreu, ou a própria Nagi, mas acabam sendo deixados de lado. O grande problema da série é a “falta de profundidade”. O enredo e os personagens são incríveis, mas faz com que você pense que seria possível dar um futuro para eles. A relação entre os personagens e o mistério poderia ser mais aprofundada ao invés de terem sido deixadas tanto no ar. A relação de Rikuo e Sammy poderia chegar a um romance, mas não é especificado na obra, você não consegue captar exatamente o que e como ela vai se desenvolver dali pra frente. Novamente repito, seria extremamente difícil resolver esses problemas considerando o número de episódios disponíveis.
Animação
A animação é muito boa, mesmo sendo um anime de 2008-2009, possui uma qualidade que poderia facilmente disputar e vencer os animes atuais. Claro que por ser um conjunto de ONA (Original net animation) poderia ser o de esperar, mas possui uma qualidade indiscutível de animação. Com ótimos efeitos de luzes e cenários muito bem trabalhados, a animação é capaz de extrair muito bem o potencial do enredo.
Trilha Sonora
A trilha sonora é mediana, não deve em nada, mas também não é algo que satisfaça.
Considerações Finais
Eve no Jikan é um anime extremamente recomendado, com várias surpresas e uma ótima qualidade, mas que poderia ter gerado algo maior. Ainda assim, vale muito a pena assistir, e se apaixonar pelo seu universo.
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